Bem, se você já leu minha definição sobre mim mesmo, sabe que sou fã confesso dos Western Spaghetti – com uma queda maior pelo mestre Sergio Leone. Inclusive, já escrevi sobre uma de suas obras (Quando Explode a Vingança, de 1971) aqui no blog. Porém, devo admitir que nunca havia visto o filme que fez o mundo conhecer esta maneira diferente de se ver o Velho Oeste: Por Um Punhado de Dólares, de 1964.
Criei vergonha na cara, e finalmente vi o filme que marcou para sempre o gênero, com características que seriam seguidas por inúmeros títulos lançados posteriormente. Além disso, Por um Punhado de Dólares marca o começo da “Trilogia do Homem Sem Nome”, estrelada por Clint Eastwood – um ilustre desconhecido até então – sob a batuta de Leone. Tudo isso com a trilha sonora de Ennio Morricone, amigo de Leone dos tempos de faculdade, que também revolucionou o modo de se fazer e pensar em uma trilha sonora.
O filme conta a história de Joe [Clint Wastwood], que chega a uma pequena cidade controlada por duas famílias: os Baxter (americanos) e os Rojos (mexicanos). Logo ao chegar, Joe ouve do rapaz que toca os sinos no povoado: “Aqui é um lugar muito rico. Você veio ganhar dinheiro? Porque ou as pessoas ficam ricas, ou morrem por aqui”. Então ele começa um perigoso jogo duplo com os dois lados, enquanto tenta tirar mais dinheiro e escapar ileso desta briga.

Leone dá uma aula de como se contar uma história de modo envolvente, mantendo a tensão alta durante todo o filme. Em situações cada vez mais “asfixiantes”, onde o espectador duvida que Joe consiga escapar sem ser descoberto, o clima do filme fica cada vez mais tenso e prende a plateia cada vez mais. Soma-se a isso os efeitos técnicos que se tornariam característicos do cineasta italiano: os close-ups, tiroteios intensos, reviravoltas no roteiro, personagens menos maniqueístas do que os dos Westerns norte-americanos, etc. Leone foi parte crucial para a criação do conceito do Western Spaghetti por alguns destes pontos aqui enumerados.
Outro dos pontos que sustenta o filme é a inovadora trilha sonora, composta por Morricone. Quebrando a tradição orquestrada dos faroestes americanos, Ennio Morricone introduz silêncios, assovios, coros masculinos e cria a até hoje marcante música tema do filme. Ao lado de Leone, o compositor também deixava sua marca no gênero, se tornando um dos expoentes do Western Spaghetti.
Por último, mas não menos importante, vem Clint Wastwood com sua interpretação. À época o ator já conhecia bem o gênero, pois atuava na série “Rawhide”, da CBS. Até então Clint era um ator coadjuvante da série, e teve a chance de ser o protagonista no filme de Leone. Com seu jeito de durão, transbordando ironia e sarcasmo, ele foi o ator perfeito para desempenhar o papel do caçador de recompensas Joe. Como se tornaria comum, o personagem principal não tinha um modelo de conduta a se seguir: era sujo, tinha motivações duvidosas e não media escrúpulos para conseguir o que quisesse. Ao seu lado tinha a companhia de outros atores que se tornariam figuras carimbadas em outras produções do gênero, como Gian Maria Volonté, Aldo Sambrell, Joseph Egger e Mario Brega. Todos trabalhariam novamente com mestres como Leone, Sollima, Corbucci e outros.
Por todas estas razões Por Um Punhado de Dólares revolucionou o modo de se pensar em faroeste, criou um novo gênero e continua fazendo fãs até hoje. A primeira de algumas obras-primas do trio Sergio Leone, Clint Eastwood e Ennio Morricone, Por Um Punhado de Dólares é daqueles filmes que sempre mostra algo diferente a cada vez que você assiste. Altamente recomendado!

“Por Um Punhado de Dólares” – Excelente
