Somos complicados por natureza. Sejamos jovens ou velhos, estamos inundados em nossos próprios mares de agonias, tristezas, problemas, traumas, inseguranças e afins. Fadados a carregar nossos fardos vida afora. Escrevo porque sinto que, quiçá, ameniza-me as dores. As interrogações que nunca se transformam em pontos. Mas, no fim, tudo se trata de um grande engano. Devo estar me ludibriando ao escrever estas palavras sinceras demais e achar que quaisquer questões possam ser apaziguadas com vírgulas acentos músicas códigos linguagens ou algo que os valha. Mas escrevo, não penso. Regurgito palavras, sussurros, confidências. As enumero, lhes dou valor e intensidade suprimindo vírgulas e pontos. Nosso destino final é prosseguir esta auto-enganação, talvez. Perguntar-se e escrever. Achar que existem respostas. O que existe é apenas esta espessa e infinita cortina de fumaça que meu cigarro molda madrugada adentro. Em camas solitárias ou bem acompanhadas, tanto faz. É por conta desta questão recorrente da utilidade de todas estas palavras que admiro com ainda mais intensidade coisas completas em si mesmas. Esta fascinação pelas imagens, pelos detalhes, pelos erros, pelos momentos. Devia falar menos. Contemplar. É hora de silêncio.
