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*SPOILERS à frente, vale lembrar.
Na primeira metade da década de 70, Sam Peckinpah já cavava sua cova para os grandes estúdios americanos. Bloody Sam estava perdendo a luta contra o alcoolismo e não acumulou muitos hits de bilheteria desde Wild Bunch, em 1969. É neste contexto que Sam realiza o grande Pat Garrett & Billy The Kid, de 1973. Encabeçado por James Coburn, Kris Kristofferson e o debute de Bob Dylan no cinema, o filme conta com um ótimo roteiro de Rudy Wurlitzer (o mesmo de Two-Lane Blacktop, de Hellman) e é talvez o último grande western americano de uma era – não à toa o gênero teve um “revival” na década de 80/meados dos anos 90.

Pat Garrett [James Coburn], sentindo cada vez mais os sinais da idade, se torna o delegado contratado por poderosos fazendeiros e criadores de gado no Novo México. Garrett é contratado para cuidar de seu grande amigo e ex-companheiro de bando, Billy The Kid [Kris Kristofferson]. A partir daí, por meio de uma narrativa fragmentada, Sam Peckinpah focaliza esta trajetória de Garrett em busca de Billy. Municiado por uma trilha sonora feita por ninguém menos que Bob Dylan – que vive Alias, uma espécie de “eterno forasteiro”, que transita entre estes dois mundos (o de Billy, ao lado dos criminosos que seguem sendo os mesmos com o passar dos tempos, e o de Pat, que se “rende” às forças dos poderosos) -, Peckinpah nos brinda com cenas maravilhosas. O diretor nos mostra como, de certa forma, pegar Billy representa uma fase que se encerra na vida de Pat; ao mesmo tempo, Garrett evita o confronto com o jovem amigo, porque é difícil aceitarmos que os tempos mudam, que nossas escolhas têm seu preço.
Dizem que Bloody Sam protagonizou cenas deploráveis nas filmagens. Bob Dylan teria ficado “traumatizado” após Sam, em um de seus inúmeros surtos, começar a mijar em um dos monitores após um take ruim (Kristofferson confirma o acontecido). Porém, é inegável que Peckinpah realizou um dos seus grandes filmes mesmo estando sob condições tão adversas; Pat Garrett & Billy The Kid tem uma sensibilidade única, praticamente indefinível. Talvez seja o mais próximo que um genuíno homem do Velho Oeste como Peckinpah chegue de uma espécie de busca existencial por um acerto de contas com o passado. O filme pode não ser dos grandes sucessos de Sam, mas é, com certeza, o último suspiro de uma era. Absolutamente imperdível.
“Pat Garrett & Billy The Kid” – Excelente
Vamos por partes: o trailer mostra que o filme é, de fato, um remake, daqueles que reproduzem cenas do original, etc. Troca-se um pequeno e maldito vilarejo britânico pelo sul norte-americano… de resto, parece que tudo estará presente. Me parece óbvio que o pesado conteúdo será amenizado (e bastante), mas a violência deve ser mantida. O que é uma pena, porque o que se destaca na obra original de Bloody Sam é exatamente a subversão humana, nossos instintos mais agressivos e maléficos, e não simplesmente um homem que fará de tudo para defender sua casa (que simboliza sua civilidade e não-agressividade). Mas devo admitir que esperava um trailer pior. Não que isso nos faça ver o filme com olhares promissores, claro.