Ode a Danny Trejo

31 08 2010

Danny Trejo nunca teve o perfil para ser protagonista. Relegado à mortes violentas ou rápidas, nunca resistia até o fim dos filmes que participou durante sua carreira. Rosto conhecido entre capangas e vilões em filmes desde 1985, quando estreou nas telonas no filme Runaway Train, Danny nunca pode ser nada mais do que uma caricatura. Mas estes tempos já se foram, e o ator batizado como Dan Trejo, nascido em 16 de maio de 1944 em Los Angeles é a estrela da vez. Pelo menos em Machete, de Robert Rodriguez.

Minha primeira lembrança de Danny no cinema é em A Balada do Pistoleiro, clássico de Rodriguez de 1995, como o especialista em facas Navajas. Com o cabelo mais curto do que nos habituamos a vê-lo, Danny era um assassino enigmático contratado para matar El Mariachi, vivido por Antonio Banderas. Daí pra frente, me acostumei a vê-lo em papéis assim, como o mexicano enigmático, o assassino silencioso, o capanga que você sabe que vai morrer até a metade do filme. Com inúmeros trabalhos – o IMDB contabiliza 195 participações em filmes, seriados, filmes made for TV e até videogames [no excelente Def Jam: Fight for New York, de 2004, por exemplo – e seu personagem também morre antes do meio da trama, ironicamente] -, Danny sempre se acostumou a morrer.

Com sua massiva participação no cinema, seja em filmes de grandes ou irrisórios orçamentos, ele acabou se tornando um personagem em Hollywood. Sinônimo de produções consideradas de “baixa qualidade” pela maioria do público e crítica, Trejo se tornou figura carimbada para os fãs de filmes de ação.

Entretanto, com o lançamento do ambicioso e louvável Grindhouse, em 2007, Trejo pôde sentir o gostinho de ser o herói, aquele que mata e não morre. Em um dos trailers fake da produção conjunta de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, Trejo era Machete, um exímio assassino que é enganado e quase morre; a partir daí busca sua vingança contra os poderosos que o enganaram à custa de muito sangue, cenas de ação nonsense e até uma orgia com mãe e filha de um senador corrupto. O trailer, que homenageava o gênero trash, exibido nas grindhouses noorte-americanas, acabou sendo um enorme sucesso.

O sucesso foi tanto que começaram a surgir especulações que o filme poderia virar realidade. E para nossa alegria Machete está prestes a ser lançado nos cinemas – nos EUA o filme estreia nesta sexta, dia 3, e aqui o filme chega no dia 15 de outubro.

Bem, antes de mais nada, se tem alguém que merecia sentir o gostinho de protagonizar um filme de ação por pelo menos uma vez é Danny Trejo. Ele merece pegar as gostosonas, matar os bandidões, ser fodão fumando seu cigarro e sair andando em direção ao horizonte no fim do filme. Em segundo, ninguém melhor que seu amigo Robert Rodriguez para dirigi-lo, pois o diretor conhece como poucos o gênero, e pode fazer uma doce e sangrenta diversão de primeira linha.

Há ainda alguns fatos curiosos, como o elenco ser composto com atores “amigos” de Rodriguez, como o próprio Trejo, Michelle Rodriguez, Jessica Alba, o ilustre Cheech Marin e por nomes de peso, como Robert De Niro e Steven Seagal. Aliás, o duelo com Seagal promete, principalmente por inverter os papéis dos dois, porque Seagal está acostumado a ser o herói que mata todos os capangas, enquanto Trejo sempre foi um dos capangas.

Enfim, as expectativas por Machete são grandes, principalmente por Danny Trejo. Esperamos aquela atuação canastrona de sempre, com poucas palavras e muito sangue. Nada melhor do que isso ao norte-americano mais mexicano de Hollywood.





A volta do filho pródigo

30 08 2010

Cinco anos haviam se passado desde a última maré de azar do tenente John McClane. Então, em 1995 chega a terceira aventura de McClane nas telonas, com Duro de Matar: A Vingança. Quem estava de volta não era apenas o ator Bruce Willis, no papel que já o havia imortalizado no cinema, mas também o diretor John McTiernan. McTiernan não filmava nada desde seu ambicioso – e o maior fracasso de bilheterias de Hollywood – O Último Grande Herói, com Schwarzenegger (ainda falaremos mais sobre este filme por aqui no HQ Subversiva). Para alegria do diretor, DDM:AV foi um sucesso, e é uma dos melhores filmes da série de aventuras de McClane nos cinemas.

Nesta terceira parte de Duro de Matar, John McClane está mais na pior do que nunca: seu casamento está em crise, ele está fora da força policial de Nova York, e as coisas não vão nada bem. Então o terrorista Simon Gruber [Jeremy Irons] – irmão de Hans Gruber, morto no primeiro filme – começa a fazer ameaças à cidade de Nova York, afirmando ter bombas espalhadas pela cidade, e que as detonará se John McClane não seguir suas específicas ordens. Assim, a polícia chama McClane de volta para a força para a solução deste caso. Em uma das tarefas que o tenente deve seguir, ele acaba cruzando o caminho do vendedor Zeus Carver [interpretado pelo hilário Samuel L. Jackson], e os dois precisam cumprir juntos os objetivos propostos por Simon, enquanto tentam pegar o criminoso.

O filme tem muitos pontos positivos, e um ou outro negativo. Começando pelas partes boas podemos citar a química entre Samuel L. Jackson e Bruce Willis, que proporciona muitas cenas de ação interessantes (como a da explosão no metrô), e bons momentos de comédia – como as discussões sobre racismo e a cena pós-inundação. Por muito tempo – até a aparição do vilão, Jeremy Irons – é a dupla que mantém o bom ritmo e nível das cenas do filme. O antagonismo entre os dois personagens alimenta ótimas piadas tanto de McClane como de Zeus, que se vêem presos ao incrível plano bolado por Simon.

Outro ótimo destaque é o competente Jeremy Irons na pele de Simon. Sem ter toda a canastrice de vilões anteriores, Irons dá um show com um personagem sutil, inteligente e maquiavélico. Por fim, é interessante notar como McClane, já estabelecido como um bad-ass depois do surreal Duro de Matar 2, volta um pouco mais àquela coisa de herói-fudido-e-ferrado, sem tantos momentos “super-heróicos” como na sua segunda aventura. Mesmo assim, há ótimas cenas nonsense, como a sequência das tubulações e a cena do táxi.

Mesmo com muitos prós, eu destaco como contras a participação dos atores coadjuvantes do grupo terrorista, como a amante de Simon e seu braço-direito, cujos nomes nem merecem ser citados aqui.

No fim das contas, DDM:AV retoma um estilo mais similar à primeira parte, principalmente, é claro, pelo retorno do diretor John McTiernan, depois do infortúnio de O Último Grande Herói. Soma-se a isso outra atuação de alto calibre de Bruce Willis naquele que se tornaria o personagem mais icônico de sua carreira, e as ótimas adições no elenco principal, como Samuel L. Jackson e Jeremy Irons. Com um ritmo alucinante, sequências de tirar o fôlego e aquele nonsense que amamos, DDM:AV é diversão garantida. Ah, e com o “Yippie-kay-ei motherfucker” de sempre, claro.

“Duro de Matar: A Vingança” – Muito Bom





Hopper, Dennis

29 08 2010

Lá estava eu na banca de jornais quando vi a edição deste mês de agosto da revista Rolling Stone. Não sou muito fã da revista, mas duas chamadas da capa me chamaram atenção: uma sobre a intolerância do pós-guerra na Bósnia – porque estou fazendo meu trabalho de conclusão de curso em Jornalismo sobre o trabalho do quadrinista Joe Sacco durante a Guerra da Bósnia, no fim de 1995/ começo de 96 – e a outra sobre Dennis Hopper. O título era “Os Últimos e Insanos Dias de Dennis Hopper”. Comprei, li, e não me decepcionei. A matéria sobre Dennis Hopper, feita por Vanessa Grigoriadis é sensacional.

Dennis foi um dos ícones da contracultura e da juventude nos anos 60, com uma das obras mais icônicas do período, Easy Rider. Ao lado de Peter Fonda e Jack Nicholson, Hopper personificou aquela juventude embebida em Kerouac, Burroughs e os beats. Entretanto, depois de infortúnios e decepções profissionais, Hopper lentamente abdicou de todo seu talento para a sétima arte, se sujeitando a papéis vergonhosos em produções de qualidade altamente discutível. Vanessa aborda toda esta trajetória de Hopper de uma forma crua, dura e semelhante ao temperamento do astro, falecido em maio de 2010

Passando por histórias controversas da vida de Hopper, como uma orgia mal sucedida com Natalie Wood em uma banheira de champagne e violentas brigas com suas ex-mulheres, a jornalista cria um interesante panorama sobre o ator. Para quem se interessar em ler um pedacinho da matéria, aqui vai o link. Mas minha indicação é para ler a matéria na íntegra, pois a revista publica maravilhosas e raras fotos de Dennis. Para quem não conheceu o ícone já vale a pena, mas para quem o admira… é indispensável. Ponto pra Rolling Stone.





Esperando pelo melhor

28 08 2010

Nesta semana saiu no site Deadline que a Marvel Studios contratou o roteirista da adaptação às telonas de um dos heróis mais interessantes do universo Marvel: Punho de Ferro. O contratado para roteirizar o fime, que estaria sendo desenvolvido há quase uma década, é Rich Wilkes, que escreveu os dois Triplo X e de Airheads: Os Cabeças-de-Vento. O nome do contratado e seu currículo, infelizmente, não têm o mesmo nível do ótimo personagem.

Punho de Ferro foi criado por Roy Thomas e Gil Kane e surgiu pela primeira vez nos quadrinhos em maio de 1974, na revista Marvel Premiere #15. Embebido na febre dos filmes de artes marciais do fim dos anos 60/ começo dos anos 70 – principalmente graças ao sucesso de Bruce Lee nos cinemas -, Punho de Ferro é o grande campeão de Kun Lun, personificado por Daniel “Danny” Rand. Rand havia embarcado em uma expedição com seu pai, Wendell Rand, e o sócio dele, Harold Meachum, em busca da cidade de Kun Lun – que só se manifestava na Terra a cada 10 anos, e era o berço do Punho de Ferro, poderosa entidade mística que concedia força e habilidades sobrehumanas ao escolhido. Porém, Harold assassina os pais de Daniel para tomar conta da empresa da família. Daniel acaba encontrando a cidade, treina e acaba sendo escolhido como o novo campeão de Kun Lun, e assim conquista o direito de possuir o Punho de Ferro.

O herói foi um dos grandes ícones do início da década de 70 na Marvel, ao lado de Luke Cage – com quem formava a dupla Heróis de Aluguel. Estes heróis eram claramente influência da cultura da época, e remetiam aos filmes de artes marciais e os blaxploitation lançados neste período. Esta leva de heróis urbanos da empresa retomou sua importância a partir da metade dos anos 2000, com Luke Cage e o próprio Punho de Ferro como integrantes dos Novos Vingadores, ao lado de grandes ícones como Homem-Aranha, Wolverine e outros. Além disso, um dos escritores mais importantes da Marvel da última metade dos anos 2000, Ed Brubaker, trabalhou com o personagem na mini “O Imortal Punho de Ferro”, elogiada pela crítica.

É legal ver que o filme do Punho de ferro pode finalmente sair do plano das ideias, depois de tanto tempo envolto entre especulações. Claro, ainda nada está definido, pois apenas um roteirista foi contratado, mas é bom ver algum interesse da Marvel em filmar a história de Danny Rand. Claro, o perfil urbano do personagem, e a maioria das suas histórias se encaixam naquele perfil de filmes com orçamentos menores que as grandes produções, e que sirvam para apresentar personagens da editora ao grande público. Agora, de nada adianta dar vez ao Punho de Ferro e contratar alguém inexpressivo para apenas “queimar” o personagem – como o que aconteceu com o Justiceiro e seus dois filmes-lançados-direto-para-DVD. Com o rumo que a editora está tomando nas telonas, esperamos mais Homens de Ferro e menos Demolidores, se vocês me entendem, claro.





Tudo por dinheiro

27 08 2010

Depois de ousar e perturbar as platéias com Sob o Domínio do Medo, de 1971, Sam Peckinpah fez seu próximo filme de modo mais comedido. Os Implacáveis, de 1972, é um bom e simples exemplo de filme de “assalto-e-fuga” bem feito, sem grandes invenções, calcado no “feijão-com-arroz” do gênero. Claro que há os toques de Bloody Sam na obra, como violência estilizada e tiroteios em câmera lenta, o que dá aquele algo mais ao filme.

Na trama, “Doc” McCoy [o nosso eterno Steve McQueen] é um ladrão de bancos que estava preso por quatro anos e meio até que se cansa e decide sair da cadeia. Pra isso, ele entra em contato com sua mulher, Carol [a belezinha Ali MacGraw], para que ela lhe arranje um meio de sair da prisão. Então, McCoy ganha sua liberdade para trabalhar para Beynon [Ben Johnson], e assaltar o cofre de um banco. A partir daí começa um jogo de trapaças e perseguições, onde ninguém confia em ninguém, que segue até El Paso, local onde acontece o clímax do filme.

Os Implacáveis não tem grande ousadia em seu roteiro, que mostra de maneira bem linear este jogo de trapaças. O filme segue em um ritmo agradável, crescente a partir do assalto do banco. Depois que as coisas começam a dar errado, Peckinpah mostra o casal McCoy tendo que lidar com as diversas situações que surgem após o malfadado roubo. Não há grande complexidade dos personagens, como em outros filmes do diretor, mas a evolução da trama é muito competente.

Há alguns pontos do filme a se destacar, como a participação de Al Lettieri [o Solozzo de O Poderoso Chefão] como Rudy, assaltante que tenta dar o golpe em Doc e acaba perseguindo-o durante o filme. Nesta perseguição, ele faz refém um casal, donos de uma clínica veterinária. A trajetória do casal beira o tragicômico: obrigados a levar Rudy até o México, a esposa flerta com o bandido, e o marido tem que observar a situação toda calado. Além disso, Steve McQueen é muito eficiente no papel de Doc McCoy, mostrando aquela postura que o espectador espera de um ladrão de bancos fodão.

No geral, Os Implacáveis é um filme eficiente. Não revoluciona o gênero (e nem pretende), mas traz elementos que funcionam bem neste estilo de filme, como várias perseguições de carro, acidentes, tiros e fugas. Há os toques de Peckinpah, esteticamente falando, como as cenas em câmera lenta e sequências com cortes rápidos, afim de criar um clímax. Se pensarmos em Peckinpah, é óbvio que o filme não é das melhores obras; mas se pensarmos em filmes de “assalto-e-fuga”, Os Implacáveis é uma boa diversão.

“Os Implacáveis” – Bom





O apocalipse cada vez mais perto

26 08 2010

Tá, eu sei que ontem já foi destaque em alguns blogs, mas só pude postar sobre o assunto agora: finalmente sai em alta qualidade o trailer da adaptação da ótima série Walking Dead, de Robert Kirkman. O trailer da série, adaptada por Frank Darabont – leia mais sobre o que já escrevemos sobre a adaptação e expectativas aqui -, está disponível na página de vídeos do Omelete.

Com forma cada vez mais bem definida, a série vai cumprindo as expectativas dos fãs da HQ original, com elenco bem escolhido, e várias cenas idênticas às originais de Kirkman. O trailer que foi liberado é o mesmo que foi exibido na Comic-Con deste ano de 2010, e mostra bons momentos, como Rick Grimes[Andrew Lincoln] tentando escapar dos zumbis, acordando após tomar o tiro na perseguição policial, dentre outros. A trilha sonora também ficou adequada à composição do trailer, e deu um tom cool para as cenas.

Para acrescentar à liberação em alta qualidade do trailer de Walking Dead, veio a ótima notícia que a série deve chegar ao Brasil com apenas uma semana de atraso em relação à estreia norte-americana – marcada para a noite de Halloween, no dia 31 de outubro, pela emissora AMC [mesma casa da ótima Mad Men]. Tá, vai ser dublado, como todas as séries do prime time da FOX, mas pelo menos não teremos que esperar meses e meses para matar a vontade de ver o mundo apocalíptico de Kirkman ganhar vida. E que chegue logo este Halloween!





Morde e assopra

24 08 2010

Já virou praxe da DC Comics nos últimos anos soltar imagens e posters teaser para atrair leitores para a nova “maior-saga-de-todos-os-tempos-que-vai-mudar-tudo-que-você-conhece-e-sabe-até-agora”. Não há como negar: as imagens têm um grande atrativo, e de fato deixam muita gente que acompanha as publicações da editora encucada. E a DC consegue sim atrair novos leitores com estes teasers, sempre muito bem desenhados e grandiosos, enigmáticos.

Acima podemos ver o teaser de Battle for the Cowl, saga que definiu quem ia assumir o manto de Batman após o “sumiço” de Bruce Wayne – que logo logo já está de volta.

SPOILERS À FRENTE

Agora, é a vez de Brighest Day ganhar seu poster enigmático. Na imagem, podemos ver os doze Lanternas Brancos, que voltaram à vida com o fim da ótima Blackest Night – a saga acabou ano passado lá nos EUA. Neste “morde-e-assopra” da DC, chegou o momento dos leitores começarem a confabular o que a imagem esconde, e o que muda (mais uma vez) depois de Brighest Day. O que eu acho? Eu cansei dessa especulação toda, e prefiro esperar para ler.

Para quem quiser ver um link com a imagem em tamanho original, clique aqui.

 








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