“Um beijo salpicado de lama e piche”

3 09 2010

Para quem conhece sua obra com profundidade, se pergunta o que raios anda acontecendo com ele. De exímio contador de histórias, um dos expoentes que mudou a atmosfera dos quadrinhos em gerais, hoje vira alvo de chacota como diretor de cinema e quadrinista vez ou outra. De quem falo? Do grande Frank Miller. Ele, que revolucionou os rumos editoriais das HQs com seu “Batman: O Cavaleiro das Trevas” e “Batman: Ano Um” na segunda metade da década de 1980, com uma atmosfera sombria e mais adulta do que o gênero de super-heróis estava acostumado a ver, hoje o vê por trás do questionável “The Spirit”, fracasso de público e crítica. O que aconteceu com Miller durante os anos 90, que o influenciou no que ele é hoje é papo para outro dia. Hoje vou falar um pouco sobre uma das melhores obras de Frank, e que por si só já marcaram o seu nome na história das HQs: Sin City.

Neste post falarei sobre a história A Dama Fatal, publicado de novembro de 93 a maio de 94. A trama conta a história do fotógrafo Dwight McCarthy, que se envolve em uma trama de assassinato e jogo duplo por causa da dama fatal do título: Ava Lord, sua ex-noiva. Ava, que é uma beldade que sabe se utilizar de sua beleza estonteante e seu pode de sedução, é a mente por trás de um complexo plano que objetiva uma grande fortuna.

Miller é um mestre das palavras. Ele consegue criar uma atmosfera sombria, tensa e envolvente com narrações em off e devaneios de seus personagens. O autor se utiliza de seu vasto conhecimento das tramas policiais noir dos anos 40 e cria um rico universo em Sin City (“Cidade do Pecado”, em tradução literal do inglês) – “carinhoso” apelido para a corrupta cidade fictícia de Basin City. Em A Dama Fatal Miller cria personagens riquíssimos, como o complicado Dwight, repleto de questões e conflitos internos dificílimos, Ava, uma femme fatale de dar inveja a qualquer outra, Marv, o brutamontes que acompanha Dwight [e estrela outra das histórias de Sin City] e muitos outros.

Além disso, Miller também desenha as histórias de Sin City. Com um estilo “cru”, “menos” refinado do que artistas como Steve McNiven ou Steve Dillon, Frank cria quadros memoráveis em A Dama Fatal, como as surras de Manute em Dwight, Marv destruindo todos os capangas possíveis, as cenas de amor de Dwight e algumas mulheres, e as páginas inteiras de Ava e suas formas redondas e sedutoras. Miller brinca bem com o jogo de sombras – as HQs de Sin City são em preto-e-branco -, ressaltando os traços físicos de seus personagens.

Para aqueles que estão estranhando não reconhecer a trama de A Dama Fatal e terem visto a adaptação de Robert Rodriguez de 2005, a explicação é bem simples: A Dama fatal não foi uma das tramas-base para a adaptação. Há rumores de que em Sin City 2 – um dos filmes que mais esperamos começar a evoluir em Hollywood e finalmente ser filmado – esta história poderia ser incluída, e que Angelina Jolie seria Ava Lord. Como não há nada certo sobre isso, há de se esperar. Enquanto isso, fiquem com a certeza: leiam a HQ, que é maravilhosa.

“A Dama Fatal” – Muito Bom


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