Divertido pra carajo

9 10 2010

A TV paga é uma dádiva, tal qual a internet e o torrent. Quando você menos espera, passando por canais de filmes e vendo sinopses, acaba se deparando com um filme que você nunca ouviu falar, e que parece divertido. Deste jeito inesperado acabei de ver uma dos melhores western yakisobas contemporâneos: Sukiyaki Western Django, de 2007. O filme, dirigido por Takashi Miike, o filme consegue misturar elementos de western spaghetti, filmes de ação orientais e Tarantino – que, diga-se de passagem, tem uma pequena (mas sensacional) participação no filme.

Na trama, o Pistoleiro [Hideaki Ito] chega à cidade de Yuta, no estado de Nevata, e descobre que há um racha. Duas grandes gangues dividem a cidade, e ambas buscam um amaldiçoado tesouro. As gangues, os Genji (ou Vermelhos) e os Heike (ou Brancos), vivem em um constante clima de tensão que arruinou a cidade, e afastou a maioria dos moradores do vilarejo. A maior vítima é Akira [Shun Oguri], morto pelos Vermelhos; sua viúva se une aos Brancos e abandona Heihachi, filho do casal que simbolizava a união entre Vermelhos e Brancos. O Pistoleiro toma partido e, a partir daí as coisas engrenam de vez.

Talvez o maior acerto do filme seja seu jeito completamente descompromissado de homenagear o western spaghetti. Miike, um dos diretores favoritos de Eli Roth e do próprio Quentin Tarantino, conduz a narrativa de forma muito ágil e dinâmica, a permeando por referências a grandes clássicos italianos, como o jogo duplo de Por Um Punhado de Dólares ou o enigmático caixão de Django.

Todo este processo é realizado sem esquecer, é claro, da parte estética do filme; Takashi cria cenas de beleza ímpar, com contraste de cores e ambientes, como na chegada do Pistoleiro à Yuta, ou o duelo final na neve. Além disso, percebe-se também a influência visual de Tarantino no filme, como no flashback da personagem Bloody Benten [a ótima Kaori Momoi] – completamente embebido na história de O-Ren Ishii em “Kill Bill”, e com insights do que seria a história de Hugo Stiglitz em “Bastardos Inglórios”.

Há de se destacar também a participação de Tarantino como o exímio pistoleiro Piringo, um personagem sensacional que já deixa sua marca na introdução do filme. Os personagens de Sukiyaki Wester Django merecem atenção a parte: a gama criada por Miike é extensa e riquíssima. Há o chefe de gangue completamente maluco, o pistoleiro enigmático, o velho assassino que volta à ativa por uma última vez, o garoto traumatizado pela morte dos pais… e claro, o xerife com dupla personalidade (sim, esse maluco causa ótimas risadas durante o filme).

O gostinho que Miike deixa na boca dos telespectadores ao fim do filme é de que o trabalho foi bem feito. Com boas – e algumas inusitadas – homenagens ao western spaghetti, o diretor cria um filme bem carismático, com ritmo agradável e boas cenas de ação. Há sequências bem interessantes, como o flashback de Bloody Benten ou o duelo final, que já valem uma olhadinha descompromissada ao filme. Ah, e tem o Tarantino também – esse sim vale o ingresso!

“Sukiyaki Western Django” – Muito Bom

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