“The Story of My Life (and Our Time)” by Crowe

23 10 2010

Pessoal, antes de qualquer coisa devo pedir desculpas pela falta de textos completos sobre filmes aqui no HQ Subversiva – estou no período de conclusão de meu TCC aqui na Unesp (ainda falarei mais sobre meu trabalho aqui, não se preocupem!), e está faltando tempo… Então, resolvi escrever sobre um dos meus filmes favoritos da última década: Quase Famosos, de 2000. O filme é um misto de memórias e ficção do diretor Cameron Crowe sobre o auge do rock setentista – o filme se passa entre 1973 e 74 -, um dos períodos mais ricos em qualidade de música da história do gênero. Cameron faz sua declaração de amor às bandas de rock setentista e, principalmente, ao próprio rock.

Uma alegoria setentista

Quase Famosos mostra a história do jovem William Miller [o simpático Patrick Fugit], que representa o alter-ego de Cameron Crowe – que, aos 16 anos de idade, teve oportunidade de acompanhar The Who, Allman Brothers Band e Led Zeppelin em turnê. William, que escreve para um pequeno jornal de sua escola e é fã ardoroso de rock’n roll – influência direta de sua irmã rebelde, Anita [a gracinha Zooey Deschanel], que deixou todos seus discos clássicos de rock como herança quando foi embora de casa -, e acaba se tornando um membro da turnê da banda Stillwater. Como pretenso jornalista, ele acaba entrando em contato com a Rolling Stone, e ganha o direito de fazer uma grande reportagem contando as relações internas e o dia-a-dia da banda, que está em ascensão no cenário musical retratado. William então acaba cruzando a tênue linha entre amizade e profissionalismo, e se envolve emocionalmente com a banda e, principalmente, com Penny Lane [a musa Katie Hudson] e o guitarrista Russell Hammond [Billy Crudup em uma das atuações de sua vida].

O principal mérito do filme é a atmosfera criada por Cameron. Crowe viveu aqueles tempos vindouros do rock, e consegue emulá-los de uma maneira delicada e imersiva. A trama é diretamente baseada nas experiências pessoais de Crowe durante a época, com episódios inspirados em acontecimentos reais: Russell bêbado gritando “I’m a Golden God!” na piscina é, na verdade, Robert Plant sóbrio proferindo as mesmas palavras de uma sacada de hotel enquanto observava a Sunset Strip; a sequência da turbulência no avião aconteceu na vida real ao lado do The Who, e por aí vai. Crowe demonstra um vasto conhecimento acerca dos bastidores do rock dos anos 70, e inunda seu filme de referências à acontecimentos reais. Porém, ao contrário do que se poderia imaginar, este caldeirão de referências e memórias é unido de uma forma concisa, de modo que mesmo aqueles que não conhecem tais histórias conseguem desfrutar o filme. Para quem quiser checar todas as referências – que são inúmeras -, clique aqui para acessar a página de Fun Facts do filme no IMDB.

Outro ponto positivo do filme é o seu elenco. Kate Hudson, Billy Crudup, Frances McDormand e o marcante Philip Seumour Hoffman (no papel do crítico musical Lester Bangs) são os pontos altos de uma equipe muito bem montada por Crowe. As atuações do elenco como um todo contribuem para o tom nostálgico do filme, que recria com extrema fidelidade o que um fã de rock imagina que deveriam ser os backstages e bastidores daquele período. Quase Famosos já é muito bem-sucedido como um retrato histórico do início dos anos 70 para o rock’n roll, mas o filme ainda consegue se superar. no quesito artístico, Cameron Crowe cria cenas maravilhosas, daquelas que ficam marcadas em nossas mentes, como Penny Lane dançando sozinha no salão vazio pós-show, com pétalas de rosas aos seus pés, ou a banda cantando “Tiny Dancer”, de Elton John, no ônibus após o porre de Russell.

Sei que minha visão sobre o filme pode ser parcial demais – porque sou fã confesso de muitas bandas deste período, como Led Zeppelin, Allman Brothers Band, Rolling Stones, Cream, etc. -, mas Quase Famosos é uma maravilhosa ode ao rock. Com uma história diretamente inspirada nos feitos de um jovem Cameron Crowe no começo dos anos 70, o filme recria com delicadeza e nostalgia uma época cuja existência ainda marca milhares de fãs de rock até hoje. Com personagens inesquecíveis, como a apaixonante Penny Lane, o misterioso Russel Hammond, o impiedoso Lester Bangs ou mesmo o jovem e inexperiente William Miller, Crowe realiza um dos melhores retratos de uma geração, e honra a longínqua época que “os deuses caminhavam sobre a terra”. E, não sei para vocês, mas toda vez que acabo de assistir a este filme, fico imaginando como seria bom ter nascido, sei lá, em 1951 em algum canto dos Estados Unidos…

 

“Quase Famosos” – Excelente

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2 responses

25 10 2010
Gabriel

a gracinha zooey.
a sensual katie hudson, q nao é nada demais, mas tem grupie mais encantadora do que ela na história do cinema?

precisa mais?

ah, e ainda faz elton john ser legal sem a gente ter 50 anos ou ser Lou Vada (publique isto!).

é o filme de rock mais legal de todos os tempos. the wonders tem uma cena sensacional (qd eles tocam no rádio pela 1a. vez), mas nao dá vontade de participar do grupo. o do jim morrison é bom, mas o cara é um mito. quem quiser q continue a lista.

pular bêbado do telhado é o tipo de coisa q eu faria se fosse um rockstar. vc nao?

(ok, confesso: tem coisas bem mais legais pra fazer se vc é um rockstar, qualquer dia desses te conto na mesa do bar)

a gente precisa sair em turnê com os lennon e mccartney da mcfly: senta aqui, q hj eu quero….

26 10 2010
hqsubversiva

Sim, o filme do Crowe se baseia em uma sequência de acertos, desde o elenco até a construção do roteiro – embebido em mitos do rock e experiências pessoais. O que me deixa cada vez mais maravilhado com o filme é sua sutileza, sua delicadeza em contraponto ao que Lester Bangs afirma: seja sincero e impiedoso.

Em um período tão rico, a sutileza em se retratar a reaproximação da banda por meio de uma linda canção de Elton John é pura poesia… filmaço!

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