Um homem e seu caixão

16 12 2010

O western spaghetti criou vários personagens icônicos, que entraram no hall dos imortais da história do cinema. Pistoleiros como o Homem Sem Nome de Clint Eastwood, Sabata de Lee Van Cleef, Trinity de Terence Hill ainda marcam gerações a fio com suas palavras e disparos certeiros. E, dentre esses, não há como esquecer o personagem que, para alguns, é o mais icônico dos spaghettis: Django, de 1966. O filme, que é talvez a obra máxima de Sergio Corbucci, imortalizou o pistoleiro encarnado pelo marcante Franco Nero, e é, com toda certeza, um dos melhores exemplares do gênero.

Na trama, Django é um pistoleiro que vaga pelo oeste carregando um simbólico caixão. Então, ao encontrar e salvar a prostituta Maria [Loredana Nusciak], Django chega a um pequeno vilarejo que vive sob o constante embate entre os guerrilheiros mexicanos, comandados pelo general Hugo Rodriguéz [o acima da média José Bódalo], e os pistoleiros do Major Jackson [Eduardo Fajardo]. A partir daí, o que se vê é um grande jogo duplo, que envolve ouro, vingança e uma inesquecível metralhadora.

Django possui vários pontos que o credenciam para a eternidade. Os dois principais são, com certeza, a direção genial de Corbucci, e a impressionante atuação de Franco Nero. Corbucci proporciona cenas inesquecíveis, sem hesitar na utilização da violência – como a parte da orelha, ou na sequência final. Corbucci não cria sequências apelativas sem sentido, e o que se vê é um Velho Oeste bruto, selvagem, ganancioso e violento.

No que tange Franco Nero, o galã brinda sua audiência com a dureza, frieza e inteligência que o personagem exige. A sequência inicial é daquelas inesquecíveis, mostrando um pistoleiro de preto que carrega seu caixão em meio àquele cenário inóspito e hostil. Django é daqueles pistoleiros que não precisam falar muito, pois suas ações significam por si próprias.

Há outros pontos que corroboram com a eficiência do filme de Corbucci, como grandes atuações dos personagens coadjuvantes, bons ganchos criados pelo roteiro – mesmo que não sejam dos mais originais, há cenas ímpares, como o tiroteio no cemitério, por exemplo -, e uma trilha sonora marcante (sob a batuta de Luis Bacalov). Assim, Django justifica sua fama, e mostra porque Corbucci e Nero se tornaram ícones do spaghetti, e também do cinema.

“Django” – Muito Bom


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One response

21 12 2010
Pedro Pereira

Sem dúvida um grande clássico do cinema europeu. Um filme que define as linhas mestras do western-spaghetti. E quem diria que este Franco Nero haveria um dia de ser o ninja de ENTER THE NINJA!

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