A derrocada de Leslie

18 12 2010

Bem, antes de qualquer coisa, devo fazer aqui um mea culpa por não ter postado nada em homenagem ao grande Leslie Nielsen no dia de sua morte  – 28 de novembro passado. Passado isso, fiquei pensando nestas últimas semanas sobre como andava a carreira do comediante, e cheguei a uma triste constatação: talvez sua morte tenha até demorado. Calma, calma, não estou dizendo que gostaria que ele tivesse morrido antes, mas se pensarmos bem, Leslie estava fazendo feio nas telonas há, pelo menos, uns… catorze anos.

Ah, os bons tempos

Todos sabemos que Leslie já era velho quando surgiu para o verdadeiro estrelato, com “Apertem os cintos, o piloto sumiu”, em 1980. Dois anos depois, Nielsen brilhou no seriado “Police Squad!” como o detetive Frank Drebin, e inspirou os irmãos Zucker a realizarem o imortal “Corra que a Polícia Vem Aí!”, em 1988. Seu talento para o non-sense e sua disponibilidade o credenciaram a trabalhar bastante em Hollywood, sem, entretanto, conseguir manter o alto nível de alguns filmes – um jeito meio Samuel L. Jackson de ser (trabalha demais, faz muitas bombas e alguns filmes bons). Aos trancos e barrancos Nielsen se manteve bem até 1994, com a parte final da trilogia Corra que a Polícia Vem Aí; porém, as coisas começavam a piorar, e seus dois principais papéis pós- Frank Drebin não convenceram: Drácula, em “Drácula – Morto mas Feliz” e Mr. Magoo na adaptação do desenho clássico. Tudo bem, há “Duro de Espiar” neste meio tempo, mas Dick Steele não é dos seus personagens mais célebres.

Desde “Mr. Magoo” Leslie não obteve nenhum sucesso de bilheteria – a própria adaptação foi muito mal -, e se reduziu a desempenhar o mesmo papel de velho non-sense e maluco em produções cada vez menores. Há o último suspiro em “Todo Mundo em Pânico 3”, de 2003 [influência, talvez, do diretor David Zucker, amigo de outros carnavais de Leslie], mas a década de 2000 foi ainda mais melancólica. A cereja do bolo é seu último filme, “Stonerville“, é uma pequenina produção que só ganhou força após sua morte. Neste meio tempo, o gênero que o consagrou caiu no ridículo: as comédias non-sense que satirizam grandes sucessos do cinema apenas pioraram, se tornando fracassos de crítica e bilheteria quase certos. Num mundo desses, talvez fosse menos deprimente se Leslie tivesse percebido, após “Mr. Magoo“, que a coisa só ia piorar, e tivesse parado de vez.


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