“Well, Fuck You Too…!”

4 01 2011

Depois de grandes sucessos, é normal que o público tenha grandes expectativas com a próxima obra do artista. Neste caso específico, o artista em questão é o grande John Carpenter, e a obra esperada é O Enigma de Outro Mundo, de 1982. Recém-saído de Fuga de Nova York e Halloween – de 1981 e 1978, respectivamente -, Carpenter decidiu refilmar o clássico O Monstro do Ártico, de 1951, do imortal Howard Hawks. Com uma grande responsabilidade sob suas mãos, John conseguiu realizar uma obra-prima do terror, e mais um clássico para sua ótima filmografia – mesmo que o reconhecimento não tenha vindo à época, diga-se de passagem.

A trama mostra uma equipe de pesquisa norte-americana na Antártica que entra em confronto com um alienígena transmorfo, que progressivamente dizima os membros da excursão, instaurando pânico, medo e a desconfiança entre os sobreviventes. O personagem com maior destaque é o piloto de helicóptero R. J. MacReady [Kurt Russell, companheiro de Carpenter em seu filme anterior, Fuga de Nova York]. Com uma história relativamente simples, Carpenter consegue trabalhar com maestria a insegurança no próximo e o medo que o alien traz aos pesquisadores, que se vêem presos e isolados da civilização, lutando por sua sobrevivência.

Aliando uma narrativa extremamente tensa e efeitos especiais inovadores à época, John realiza um filme inesquecível. Antes da primeira aparição do alien em sua forma original, Carpenter brinca com a audiência, instigando o suspense por meio de tomadas silenciosas e obscuras, reforçando a solidão à qual aqueles homens estavam presos, ao mesmo tempo em que mostra que o alienígena não deve sair daquela estação, custe o que custar. A cena onde o mostro se revela é daquelas clássicas, que todos os fãs do gênero mantém em mente.

Há de se ressaltar também o trabalho dos atores em conjunto com o roteiro, que nos envolve de tal modo que até hoje não se sabe com certeza quem o alien representa ao término da obra – Carpenter e Russell admitem que não sabem a exata sequência de formas que o monstro toma forma ao longo do filme. A desolação e tensão é palpável, e se pode perceber que todos estão no limiar entre a sanidade e a loucura; podemos destacar os personagens de MacReady [Russell], Childs [Keith David], Dr. Blair [Wilford Brimley] e Garry [Donald Moffat] como ícones deste constante embate pela sobrevivência e pela sanidade na estação.

O Enigma de Outro Mundo não obteve reconhecimento de crítica e público em 1982, e foi considerado por muitos extremamente violento, e com pouco conteúdo. Hoje, com quase trinta anos desde seu lançamento, o filme perdura como um dos clássicos de Carpenter, e do cinema de horror como um todo. No fim das contas, o próprio realizador reconhece o mérito da obra: The Thing é a obra favorita de John… com todos os méritos, claro.

“O Enigma de Outro Mundo” – Excelente


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2 responses

4 01 2011
João do caminhão

Filmaço mesmo, daqueles onde tudo conspira para funcionar. Direção talentosa do Carpenter, presença marcante do Russell, boas atuações do restante do elenco, efeitos especiais incríveis.
Um dos melhores do anos 80.

Pena que vem remake por aí…

4 01 2011
hqsubversiva

Adoro o jeito que o carpenter vai montando a narrativa, primeiro com as cenas em silêncio do cachorro, que fita tudo e todos; depois, toda a histeria e tensão entre os caras – passando por cálculos de como aquilo dominará a Terra se sair dali até a devassa com o pessoal amarrado… muito bom!

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