The Road

7 01 2011

Dois grandes amigos meus amam o livro A Estrada, de Cormac McCarthy, e sempre me recomendaram a leitura; ambos sempre afirmaram que não tinham interesse algum em assistir à adaptação homônima feita pelo australiano John Hillcoat em 2009, pois o livro já era magistral o bastante. Mesmo sem ler a obra, acho que eles deveriam rever seus conceitos, e ver o filme, que é excelente.

A Estrada conta a penosa trajetória de pai e filho [Viggo Mortensen e o garoto Kodi Smit-McPhee], que vagam território afora em busca do sul, num futuro apocalíptico onde a vida se tornou um luxo. O pai deve proteger seu filho, custe o que custar, enquanto deve lidar com sua educação, e a ausência de sua mulher, também mãe do garoto [a belíssima Charlize Theron]. Como os grandes filmes que têm como pano de fundo uma sociedade arruinada, o que A Estrada busca discutir são as relações humanas, e no que nos tornamos quando lutamos por nossa sobrevivência.

Pode-se dizer que pai e filho personificam uma espécie de embate entre a humanidade e a sobrevivência. O garoto, ainda muito novo, tem uma visão mais otimista e esperançosa que o pai, que não mede esforços para manter-se vivo para cuidar de seu rebento. Abandonado por sua mulher – que prefere a morte a uma Terra desolada, em processo de autodestruição -, o pai preserva seu filho não apenas devido aos seus laços familiares, mas como formar de preservar a humanidade que está em todos nós. O garoto é seu laço com o mundo, com a vida.

A atuação dos dois atores protagonistas é sensacional: Mortensen dá vida a um homem desolado, com a árdua missão de sobreviver e proteger seu filho, enquanto McPhee encarna com sensibilidade e maturidade um garoto puro e inocente, em meio a um mundo onde tais valores parecem ter sido esquecidos. Hillcoat traz à tela imagens lindas e situações extremamente desoladoras e emocionantes, com grandes tomadas e planos que enaltecem o planeta cinza no qual a Terra se transformou. Além disso, há de se destacar a ótima participação especial de Robert Duvall como um velho, que em certo ponto cruza com a dupla.

A Estrada é um filme “que te deixa pra baixo”, parafraseando o amigo Leandro Caraça. Hillcoat traz uma fábula sombria de sofrimento, tristeza e dor, onde um pai chega ao absurdo de ter de ensinar seu filho a cometer suicídio; entretanto, como Mortensen profere durante o filme: “Quando sonhamos com coisas ruins e tristes significa que estamos vivos, que estamos lutando. Devemos nos preocupar quando sonharmos apenas com as coisas boas”.

“A Estrada” – Excelente


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One response

8 01 2011
GOM

eu li o livro e gostei.
depois vi o filme e também gostei.
é fácil chorar no final dos dois.

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