O Poderoso Chefão: Parte 2

25 01 2011

Após entrar para a história com O Poderoso chefão, em 1972, Francis Ford Coppola não queria voltar novamente à trajetória da família Corleone. Porém, receoso do apoio para seus projetos, e à procura de recursos e estúdios para embarcarem em seu projeto pessoal A Conversação, Francis decidiu fazer a esperada sequência O Poderoso Chefão: Parte 2, em 1974. O filme acabou sendo o grande vencedor do Oscar de 1975, e consolidou de vez o nome de Coppola como o diretor mais importante da Nova Hollywood. Com maior apoio do estúdio e mais recursos, Francis realizou seu épico mafioso de três horas e vinte e sete minutos como nenhum outro conseguiria.

A trama mostra as origens do clã Corleone, com enfoque na epopeia pela qual Vito Corleone [Robert De Niro, fora-de-série] passou para se tornar a figura respeitada que vimos no primeiro filme; a narrativa é entremeada pela trajetória de Vito e pelos rumos do clã sob a tutela de Michael [Al Pacino] como Don, e como suas relações criminosas começam a corromper gradativamente o alicerce pelo qual Vito tanto lutou: a família. Mais uma vez, Coppola conseguiu aproveitar o máximo de seu rico e talentoso elenco, com performances magistrais de Al Pacino, Robert De Niro, John Cazale, Talia Shire, Michael V. Gazzo, Robert Duvall, dentre tantos outros. Com um roteiro extenso, complexo e rico – novamente sob os cuidados de Francis e Mario Puzo -, o que se observa na obra são inúmeras situações que favorecem os atores, com frases marcantes e reviravoltas inesperadas.

Há de se destacar que Coppola mergulha com maior profundidade na personalidade de Michael, e como o filho caçula realmente se tornou um Don. Durante todo o longa se reafirma a importância dos rituais para o clã Corleone como um todo, além de se focalizar em quão impossível se torna para Michael comandar os Corleone e manter a unidade de sua família, agradar o sangue do seu próprio sangue. Na parte da narrativa que se situa no presente, observa-se uma sequência de reviravoltas, traições e atos que ultrapassam a máxima do primeiro filme – “businesses are businesses (negócios são negócios)” – que servem para reforçar a mudança do status quo do jovem Michael que vemos na primeira parte: o Padrinho fará de tudo para salvar seu clã, sem medir esforços ou mortes. Como declara Hyman Roth no filme: “esse é o negócio que escolhemos”.

Como o ritmo lento e preciso do primeiro filme se mantém, O Poderoso Chefão: Parte 2 não se apressa em mostrar toda a tragédia dos Corleone. Em aproximadamente três horas e meia, Coppola nos traz um clássico instantâneo, que obteve onze indicações ao Oscar, e abocanhou seis estatuetas –  Melhor Ator Coadjuvante, Direção de Arte, Trilha Sonora, Roteiro Adaptado, Diretor e Filme -, situando Francis como o líder de sua geração. Com dois sucessos indiscutíveis de público e crítica, o cineasta via um horizonte de possibilidades para sua carreira e para sua produtora, a American Zoetrope. Mas, como ainda veremos por aqui, todo o sucesso foi determinante para sua dura queda ao fim dos anos 70, junto com toda a Nova Hollywood. Posteriormente, Francis ainda retornaria à franquia Godfather em 1990, mas os tempos dourados já haviam terminado. O Poderoso Chefão: Parte 2 é muito melhor que seu sucessor, e mantém o nível de seu predecessor, se tornando mais um dos filmes imortais daquela década.

“O Poderoso Chefão: Parte 2” – Excelente


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