A Conversação

1 02 2011

Logo após o fenômeno Poderoso Chefão, em 1972, os novos diretores que começavam a tomar conta de Hollywood se tornaram ainda mais fortes, e Francis Ford Coppola era provavelmente o mais poderoso dentre todos. Afinal, depois de render milhões aos cofres da Paramount com a primeira parte da saga do clã Corleone, Coppola tinha todo o crédito e poder para fazer sua American Zoetrope o lar dos diretores-autores da Nova Hollywood, começando por si mesmo. Então, mesmo que relutantemente, Francis filma O Poderoso Chefão: Parte 2 para obter recursos para realizar um velho sonho: fazer A Conversação, de 1974.

O filme mostra a história do especialista em espionagem Harry Caul [Gene Hackman, assombroso], que após realizar um complexo trabalho de escuta de um casal, começa a se indagar os verdadeiros objetivos desta escuta. A partir daí, Caul se vê perseguido por todos ao seu redor: desde seus empregadores [Harrison Ford e Robert Duvall, em uma rápida participação] até por seu companheiro de trabalho mais fiel [John Cazale]. Ao fim, Harry começa a questionar sua confiança no mundo como um todo, enquanto deve decidir o que fazer com as gravações.

A lenda conta que Coppola já tinha a ideia embrionária de A Conversação pronta em 1966, e estava aguardando o momento mais propício para filmá-lo. O filme é, com certeza, um dos melhores da longa carreira do cineasta, que foi responsável pela direção, produção e roteirização; toda a trama se relaciona intimamente com o panorama político pelo qual os Estados Unidos passavam à época – o caso Watergate, mais especificamente. Então, Coppola monta este complexo personagem que é Harry Caul: um dos melhores do ramo de espionagem, ele mostra pouca confiança no mundo, tendo enormes dificuldades em se abrir, ou contar casos do passado. Além disso, há razções mais implícitas nas práticas de Harry, que vamos descobrindo apenas ao longo do filme.

Claro que os méritos não são apenas do roteiro; Francis realiza cenas maravilhosas, que transmitem toda a incerteza e paranoia do personagem de Hackman, e como a qualquer momento alguém pode traí-lo. Coppola constantemente gosta de antecipar os movimentos das personagens, o que proporciona cenas marcantes – como as sequências nas quais Harry toca saxofone em seu apartamento, a festa em sua oficina e a parte final do longa. Além disso, a capacidade do elenco corrobora com a qualidade do filme, com grandes atuações de Hackman, Ford, Cazale e outros.

A Conversação é um thriller psicológico de primeira linha, e não à toa é o filme favorito de Francis Ford Coppola; com uma trama envolvente, um constante clima de tensão, grandes atuações e cenas belíssimas, o filme é um dos melhores daquela geração Nova Hollywood. Além disso, também se percebe a insegurança e desconfiança política dos Estados Unidos à época, o que torna o filme ainda mais interessante. No fim das contas, Coppola realizou, com certeza, um dos melhores filmes da década.

“A Conversação” – Excelente


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