Hombre

7 02 2011

O escritor Elmore Leonard é um dos melhores romancistas norte-americanos do século XX, com certeza. Conhecido por seus diálogos afiados e tramas complexas, repletas de reviravoltas, Elmore é uma das maiores inspirações de Quentin Tarantino. O cineasta, inclusive, adaptou o romance The Rum Punch em “Jackie Brown”, de 1997. Porém, as obras de Leonard são adaptadas para as telonas há tempos, e os westerns são uma de suas maiores especialidades. O diretor Martin Ritt foi o responsável por um dos melhores westerns dos anos 60, que é adaptado de uma obra de Elmore: Hombre, de 1967. Com Paul Newman no papel principal, a trama mostra uma densa história de preconceito e sobrevivência no Velho Oeste, se tornando um clássico instantâneo.

A história de Hombre mostra a trajetória de John Russell [Paul Newman, impecável], branco criado por apaches, que volta para a cidade natal de seu tio branco para herdar uma de suas propriedades. Após isso, embarca em uma diligência com outros moradores, que se vêem em meio a um assalto e perdidos no deserto. Após sofrer preconceito e discriminação durante a viagem, o apache se torna o fio de esperança para os passageiros, em busca de sua sobrevivência.

A própria sinopse já denuncia a carga crítica contida em Hombre. Muitas situações mostradas na tela são extremamente simbólicas – como, por exemplo, os dois personagens “responsáveis” pela segurança da trupe sejam um branco-apache e um mexicano subserviente -, e os diálogos são afiados e certeiros. Cada personagem trilha um caminho diferente pela sobrevivência, e não há uma busca pelo cowboy herói; não há sacrifícios em nome de um ideal maior, pois nenhum dos personagens realmente mereça ser salvo. Paul Newman dá um show no papel do apache Russell; com uma atuação precisa, suas falas, olhares e atitudes são pontuais e perfeitamente adequadas a cada situação. Além disso, o elenco de apoio também colabora para elevar o nível das atuações, com destaque para o mexicano Henry Mendez [o veterano e sempre competente Martin Balsam] e Jessie [Diane Cilento], uma bela mulher de fibra que mantém uma tensão amorosa com o personagem de Newman.

No fim das contas, Hombre conta com tiroteios e cenas de ação competentes, e um roteiro fora-de-série. Com situações e frases perfeitamente planejadas, vemos uma dura crítica aos costumes e práticas de uma sociedade hipócrita – sendo que, na verdade, o filme facilmente poderia se passar nos dias atuais… assim, Hombre é uma obra atemporal e, com certeza, um clássico.

“Hombre” – Excelente


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