Corrida Sem Fim

15 02 2011

Já falei aqui sobre dois dos maiores road movies da história – Easy Rider e Vanishing Point -, e agora é o momento de falarmos um pouquinho sobre aquele filme que completa a santa trindade do gênero: Corrida Sem Fim, de 1971, de Monte Hellman. Da mesma forma que estes dois outros clássicos, os personagens mostrados em Two-Lane Blacktop (nome original do filme de Hellman) correm em busca de algo que não conhecem, e durante esta longa jornada o foco é o vazio que existe em cada um de nós.


A obra conta uma disputa pelas estradas dos Estados Unidos; GTO [Warren Oates, fenomenal como de costume] aposta com três jovens – o Motorista [James Taylor], a Garota [Laurie Bird] e o Mecânico [Dennis Wilson] – que consegue chegar a Washington com seu GTO antes que o trio, que corre em um Chevy 1955 modificado. A partir daí, o que vemos é uma corrida pouco usual, e Hellman quebra nossas espectativas de velocidade sem tréguas; os corredores realizam uma verdadeira peregrinação até seu destino final, sem saber com certeza se o alcançarão ou não.

O maior mérito do filme é mostrar o vazio que existe em todos nós. Ao apresentar estes personagens não-identificáves (como pode ser observado pela ausência de nomes), Hellman mostra como esses doces estranhos procuram na velocidade algum sentido para suas vidas. GTO [Oates] é aquele que tem mais características de um cidadão comum, mas mesmo assim passa grande parte do filme em um constante estado de torpor, sem saber muito bem o porquê da corrida, e qual a importância de chegar ao seu destino final. A relação entre o motorista e o trio de jovens se afunila ao longo da obra, com a Garota personificando uma espécie de mentalidade hippie – vagar sem rumo, sem planos ou destinos garantidos.´

Além disso, Hellman também mostra facetas de uma sociedade hostil: a norte-americana. Os personagens que cruzam o caminho dos corredores ao longo da película mostram todo um pensamento retrógrado e, de certa forma, xenófobo – vide a sequência dos quatro comendo na lanchonete -, onde o “estranho” não tem vez, e deve ser afugentado. A escuridão e poucos diálogos do filme ajudam a construir esta imagem, deixando o entendimento final na conta do espectador.

Corrida Sem Fim traduz com maestria o sentimento de toda uma geração que viu o hippismo sucumbir, e ainda não sabia muito bem o que viria pela frente. Nesse sentido, o final da obra é simbólico, e Hellman consegue fechar esta obra-prima com chave de ouro. Como poucos, o diretor nos mostra o vazio de toda uma sociedade sem se tornar um filme datado – como Easy Rider -, e Corrida Sem Fim ainda mostra força e relevância nos dias atuais.

“Corrida Sem Fim” – Excelente


Ações

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2 responses

16 02 2011
caiolefou

Maior filme do cinema americano.

16 02 2011
hqsubversiva

Com um ritmo quase que hipnótico, tá no meu top 10 fácil fácil.

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