Appaloosa

17 02 2011

Já tinha interesse em conferir essa incursão de Ed Harris nos faroestes, e depois de uma lista de e-mails trocada com o caríssimo Leandro Caraça, dei sorte de pegar o filme na HBO Plus na semana passada. Appaloosa, de 2008, é um grande faroeste à moda antiga, sem todo este ritmo frenético que vemos em outras obras do gênero; com personagens bem desenvolvidos, um elenco pra lá de competente, um bom roteiro e uma direção segura, o filme merecia melhor sorte e recepção do público.

O filme conta a história da dupla de pacificadores Virgil Cole [Ed Harris] e Everett Hitch [Viggo Mortensen], que chegam ao povoado de Appaloosa com a missão de restaurar a ordem, em ameaça graças à influência do fazendeiro Randall Bragg [Jeremy Irons]. Rapidamente, Cole e Hitch obtém o controle da cidade, se tornando xerife e subdelegado, mas percebem que não será nada fácil acabar com o domínio de Bragg; no meio-tempo, surge na cidade a viúva Allison French [Renée Zellweger], que rapidamente se torna interesse amoroso de Cole. Com esses elementos, vemos como a dupla conseguirá colocar Bragg por trás das grades, enquanto tenta manter sua amizade e a lei em Appaloosa.

A história de “Appaloosa” é baseada no livro homônimo de Robert B. Parker, e não é a mais original do universo. Mesmo sem grandes elementos originais, Ed Harris trabalha com segurança nos melhores aspectos da trama: a amizade e companheirismo de dois homens duros e rústicos como Cole e Hitch, a ineficiência da lei quando estão em jogo interesses maiores, e como a honra de um homem pode influenciar todo esse panorama. O ponto mais forte do filme, provavelmente, reside na construção desta amizade entre os personagens de Harris e Mortensen: ambos são homens moldados pelo Oeste selvagem, terra povoada por inúmeros personagens perigosos, fato que os obriga a serem tão duros quanto o árido sólido no qual pisam. Em uma terra onde ninguém pode ser alvo de confiança, um confia ao outro a própria vida, e se tornam grandes pacificadores por terem uma amizade e parceria tão firme.

Outro elemento importante é o modo como lei e sentimentos se misturam ao longo da trama. Cole chega à Appaloosa, altera a lei ao seu modo, e a segue fielmente; entretanto, ao longo da trama, há diversos momentos onde a lei é “contornada”, e isso obviamente o deixa furioso. Entretanto, Cole é um seguidor da lei, e não consegue ludibriá-la. Enquanto isso, Hitch deixa claro que a segue, mas nunca foi tão “crente” quanto Virgil. Alia-se a isso a comparação entre suas habilidades com as de Cole, que sacramenta: “você não é tão bom quanto eu porque tem sentimentos”. Tendo tudo isso em vista, é sensacional reparar como os personagens se modificam ao longo do filme, colocando em dúvida suas próprias filosofias de vida em determinadas situações.

“Appaloosa” é um western feito por gente muito competente. Ainda tem muitos outros pontos positivos no filme, que acabei não citando aqui no texto – as sequências de ação, o ritmo cadenciado da narrativa, as atuações de Zellweger e Irons, além da dupla de protagonistas -, que o fazem ser um dos melhores do gênero nos últimos vinte anos. É daqueles filmes que surpreenderão muita gente, até porque aqui no Brasil a obra não teve grande repercussão (mesmo nos EUA o filme não foi muito bem sucedido em bilheterias). Entretanto, “Appaloosa” com certeza vale uma locação – até porque já virou filme de catálogo, o que deixa tudo mais barato…. Recomendado!

“Appaloosa” – Muito Bom

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