The Wild Bunch

23 02 2011

Sam Peckinpah é um nome muito controverso para uma infinidade de fãs de cinema. O estilo do autor chocou (e ainda o faz) muitos, que se deixaram levar pela alta dose de violência e intensidade de seus filmes; no entanto, estes mesmos espectadores deixaram de perceber e admirar a forte carga dramática dos filmes de Bloody Sam, com suas mensagens que remetem a temas universais como companheirismo, adaptação a mudanças e honra. De qualquer forma, é conhecido que, ao lado de Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (1974), Meu Ódio Será Sua Herança, de 1969, é uma das obras máximas de Peckinpah. Por meio de seu olhar característico, Sam revisita o Velho Oeste de um modo intenso, violento, cru e genial.

O filme mostra a balada final de um grupo de criminosos, que, após um violento assalto a banco, percebem que foram traídos, e se refugiam da perseguição sofrida no México. Lá, o grupo percebe que, mesmo por meio de uma vida fora-da-lei, todos têm suas próprias honras a defender.

Antes de começar, vale destacar que meu texto se baseará principalmente na versão restaurada de 35 anos do filme – também utilizada pelo amigo Otávio Pereira em seu texto para o Dia da Fúria. Nesta versão há algumas cenas extras, que vêm para somar no conjunto da obra. Tendo isso dito, Peckinpah mescla diversas versões e visões sobre o Velho Oeste em seu filme. Há um sentimento em comum com grandes westerns de Ford, como também a violência e intensidade dos western spaghetti. Entretanto, a visão que se sobressai é a do próprio Sam, traduzida de maneira singular na sequência inicial do filme – as crianças brincando com os escorpiões no formigueiro. Em uma terra onde até mesmo as crianças se divertem de maneira violenta, o que mais pode se esperar dos homens?

Peckinpah conta uma história que, como é bem lembrada nos extras do segundo disco, mostra um grupo de homens que também têm seus julgamentos de valor. Se olharmos com atenção, o grupo de William Holden, Ernest Borgnine, Ben Johnson e o maravilhoso Warren Oates são bandidos da pior espécie. Mesmo sendo ladrões e assassinos cruéis, quando colocados em xeque pelo dinheiro que paga pela brutalidade, estes homens compreendem o valor do auto-sacrifício. E o mais interessante a se notar é que a maioria de seus perseguidores – que representam a lei de interesses e poder no Velho Oeste – consegue ser ainda mais cruel e sanguinolenta que Holden e companhia.

De resto, há pouco – ou muito, melhor dizendo – para se destacar: as atuações são inesquecíveis – com destaque para Oates, Holden e Borgnine -, a trilha sonora é extremamente competente e a montagem do filme é adequada. Transitando entre ousadas sequências de violência (que chocaram muitos espectadores na época) e cenas tocantes, Peckinpah realiza um trabalho ímpar. Todo o caminho percorrido pelos personagens resulta em um dos maiores clímax da história do cinema, sem deixar pedra sobre pedra. Meu Ódio Será Sua Herança ganha ainda mais força com o passar do tempo, e merece diversas revisões. Filme mais do que obrigatório a qualquer um que preze pela qualidade.

“Meu Ódio Será Sua Herança” – Excelente


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5 responses

24 02 2011
marcelo

O melhor do Peckinpah. Um dos meus filmes favoritos de todos os temos.
Tu falou tudo, o diretor sabia misturar dramaticidade com violência. Se alguém quiser entender o verdadeiro conceito de amizade é só assistir um dos filmes do cara. Nunca deixe um amigo pra trás. Um por todos, todos por um.

24 02 2011
hqsubversiva

Como o próprio Pike sacramenta: se não estivermos lá uns para os outros, seremos apenas um bando de animais.

24 02 2011
Cesar Almeida

“Meu Ódio Será Sua Herança” mudou a minha vida.

27 02 2011
caiolefou

É 10/10, mas Pat Garret é ainda melhor!! Meu diretor americano favorito.

27 02 2011
hqsubversiva

Estou com Pat Garret aqui no meu PC pra ver faz tempo; quando conseguir assistir ao filme, coloco minhas impressões aqui, e te respondo qual prefiro. Abraços!

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