Raging Bull

25 02 2011

Em 1980 a Nova Hollywood já estava em maus lençóis. Diretores e produtores acabados pelos exageros em geral – drogas, superproduções desnecessárias, etc. Depois de alguns anos de insistência por parte de Robert De Niro, Scorcese finalmente encara com seriedade o livro que seria fonte para um de seus maiores filmes: Touro Indomável, de 1980. Intenso, violento, brutal e inesquecível, o filme mostra a marcante trajetória do boxeador Jake La Motta, nome marcante da história do esporte.

La Motta nunca foi flor que se cheira. Com temperamento explosivo e extremamente paranóico, Jake não confiava em ninguém em muitos aspectos. Scorcese demorou mais de quatro anos para levar a sério a ideia de transformar a história de um “animal” em um filme. O roteiro inclusive sofreu para ser aprovado, dado o caráter detestável de La Motta na versão de Paul Schrader – Scorcese e De Niro tiveram que arrumar o texto, e tornar Jake menos odiável.

Martin se dedicou de corpo e alma a Touro Indomável porque via semelhanças em si mesmo com o boxeador. Vemos todo o processo de ascensão de La Motta – até se consagrar campeão mundial dos meio-médios -, e sua consequente decadência – quando fica preso. Diferente do que muitos enxergam, não vejo um sentimento de honra em La Motta. Robert De Niro representa um personagem forte e orgulhoso demais, que chega ao cúmulo de apanhar de Sugar Ray, perder o título mundial e ainda declarar: “eu nunca caí, Ray. Você nunca me derrubou”.

Em aspectos gerais, o filme é memorável. Há cenas inesquecíveis, como as lutas de boxe, a sequência inicial ou o final do filme. Referências bem colocadas, atuações quase que viscerais de Robert, Joe Pesci e Cathy Moriarty, e uma estética preto-e-branco deslumbrante. Scorcese, como bom diretor de atores que sempre foi, exigiu e obteve o máximo de seu elenco, proporcionando sequências impressionantes, como pesci e De Niro se socando sem razão alguma.

O que fica latente em Touro Indomável é, com certeza, a força de La Motta. Intransigente, perspicaz, orgulhoso e brutal, o boxeador nunca respeitou os limites e, mais do que isso, nunca gostou de depender de alguém. Além disso, há de se destacar que o filme veio no momento certo para Scorcese, que passava por um período muito difícil da vida, e sabia como nenhum outro apresentar personagens problemáticos – o mesmo vale para De Niro, cuja habilidade em representar personagens com valores morais deturpados sempre foi marcante.  Touro Indomável é, de fato, o grito de um animal que exige respeito, e faz questão de mostrar quão obstinado e forte pode ser.

“Touro Indomável” – Excelente


Ações

Information

One response

26 02 2011
Gabriel

memorável é a palavra.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s




%d bloggers like this: