Os Infiltrados

27 02 2011

Estamos em 2006 e Martin Scorcese é, com certeza, um dos maiores diretores do mundo. Com uma sólida filmografia – esplêndida nos anos 70, não tão memorável na década de 80 [exceto Touro Indomável] -, Martin ainda não tem uma estatueta em sua prateteleira: o Oscar de Melhor Diretor. No mesmo ano, Scorcese lança Os Infiltrados, refilmagem do chinês “Conflitos Internos”, fatura sua estatueta, e realiza um dos melhores filmes policiais da década.

Na trama, somos apresentados ao submundo mafioso de Boston, sob o comando de Frank Costello [Jack Nicholson]. Também tomamos conhecimento das ações da Força Policial de Massachusetts – com ênfase nos policiais infiltrados sob comando do Capitão Queenan [Martin Sheen] e do Sargento Dignam [Mark Wahlberg]. Com o cenário montado vemos um intenso jogo de gato-e-rato protagonizado pelas “crias” de cada lado: o policial infiltrado na máfia Billy Costigan [Leonardo DiCaprio], e o mafioso infiltrado na força policial Colin Sullivan [Matt Damon].

O grande mérito do filme é, com certeza, manter a tensão alta durante toda a obra. Com um roteiro que traz situações cada vez mais sufocantes, o espectador se sente cada vez mais preso, sem saber quem vai descobrir quem primeiro. A cada cena vemos um dos lados chegar mais próximo ao traidor infiltrado, e vemos também os dois “ratos” fazendo o impossível para manter a verdade acobertada.

Com um elenco de peso como esse, não surpreende o fantástico trabalho de atuação dos atores principais. DiCaprio cada vez mais paranóico e problemático, Damon cada vez mais esguio e ousado e, acima de tudo, um Jack Nicholson ensandecido, exagerado e intenso, desempenhando um dos chefões mafiosos mais brutais do cinema. Já é conhecida a liberdade de Scorcese fornece aos seus atores, e Nicholson se aproveita para dar seu show.

Os Infiltrados é uma grande homenagem ao cinema policial, de Fuller a Siegel, como bem declarou Scorcese. Do outro lado vemos a mão do autor na obra, com sua construção característica do clímax, a trilha sonora que dá o tom do filme – com destaque para a sequência inicial embalada por “Gimmie Shelter“, dos Stones -, e a violência sempre presente. Martin nunca mediu esforços e muito menos se conteve para contar histórias violentas; sem rodeios, Scorcese apresenta uma fábula brutal, intensa e sufocante, mostrando um final que deixa toda a plateia surpresa. E o homem finalmente tem seu valor reconhecido, mesmo que tardiamente; Scorcese é gênio.

“Os Infiltrados” – Excelente


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