Un Prophète

1 03 2011

É fato conhecido e consumado que o poder corrompe e atrai as pessoas. Sedutor e inebriante como poucas coisas, ele pode transformar completamente um homem. Esse é o tema principal de um dos melhores filmes de máfia da década: O Profeta, de 2009, de Jacques Audiard. O filme, que partilha inúmeras semelhanças com a primeira parte da trilogia O Poderoso Chefão, de Coppola, é sensacional.

Malik El Djebena [Tahar Rahim, excelente] é um jovem descendente árabe sem familiares ou quaisquer outros vínculos. Preso, ele é enviado para uma prisão dominada pelos Corsos – italianos que dominam a região da Córsega. Nesta prisão, há ainda o lado dos Árabes – subjugados pela influência de César Luciani [Niels Arestrup] e seus comandados -, e um ou outro outsider, como o Cigano. Sem padrinhos ou proteção, o jovem Malik é forçado, para sobreviver, a assassinar o árabe Reyeb [Hichem Yacoubi]. A partir daí, sob proteção dos corsos, Malik começa sua caminhada por poder dentro (e fora) do presídio, se transformando completamente.

O grande mérito de O Profeta é a transformação pela qual El Djebena passa durante sua estadia de seis anos na prisão. Quando chega, aos 19 anos, é simplesmente um ladrãozinho pé-de-chinelo sem proteção e analfabeto; quando sai, aos 25, Malik é um homem poderoso, que teve que fazer de tudo para conquistar seu lugar e respeito dentro e fora da prisão. Nesse quesito, se pode observar um paralelo muito claro entre El Djebena e Michael Corleone em Godfather: ambos têm problemas para aceitar a prática criminosa como meio de viver, mas, uma vez que ambos cometem assassinato, tudo é possível, e apenas o poder e controle interessam.

Entretanto, há diferenças significativas entre Corleone e Malik. Enquanto Michael o faz “pela família”, o protagonista de O Profeta faz por si mesmo, como meio de ascensão social. Pobre e sem amparos, o jovem árabe faz suas amizades e estabelece suas relações para conquistar dinheiro e poder para si. Isso se percebe muito bem quando o vemos crescer dentre os corsos, e o dinheiro ganhado resulta em pequenos prazeres pessoais, como videogames, coca-cola ou um singelo filme pornô. Além disso, Malik aproveita cada conquista, principalmente devido às suas origens malditas.

Há de se ressaltar que o filme também partilha o ritmo narrativo com a obra-prima de Coppola. Com 2h35 de duração, Audiard não se antecipa nem se afoba na construção de Malik: sua epopéia de transformação é gradual, e o filme tem poucas cenas de ação. Dentre elas, Jacques Audiard não mede esforços em mostrar quão violentos podemos nos tornar, realizando verdadeiros banhos de sangue.

Com um ritmo lento e gradual, personagens poderosos e uma ótima linha narrativa, Jacques Audiard realiza um dos melhores filmes de máfia da década. Trabalhando com interessantes jogos de poder pela lado de dentro das grades, o diretor conta uma grande história de ascensão. O Profeta é um clássico instantâneo, daqueles que merecem ser vistos e revistos.

“O Profeta” – Excelente


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