Vício Frenético

23 03 2011

Antes de começar qualquer coisa, ainda não pude assistir ao filme original, cultuado filme de Abel Ferrara com Harvey Keitel como o Bad Liuetenant. Tendo isso bem explicado, falemos de Vício Frenético, de 2009. Werner Herzog traz ao espectador um história sensacional repleta de violência, drogas, sexo e um personagem extremamente poderoso: o tenente Terence McDonagh [Nicolas Cage, em um dos melhores papéis de sua vida].

É interessante notar que a sequência inicial já mostra a lição de moral que McDonagh levará consigo durante a obra: fazer o “certo” não te leva a lugar nenhum. O tenente, em companhia do parceiro de polícia Steve Pruit [Val Kilmer] decide salvar um prisioneiro esquecido em sua cela durante o desastre do Katrina, em Nova Orleans. O prisioneiro estava quase se afogando, e McDonagh decide pular na água e retirá-lo da cela. Terence fratura sua coluna permanentemente no pulo, e recebe uma promoção graças a seu “ato de bravura”. A partir daí, o policial passa todo o filme se dopando com remédios precritos para amenizar suas dores, misturados à uma quantidade absurda de cocaína, crack e outras drogas tão pesadas quanto. Nesta viagem insana, o tenente deve resolver o massacre de uma família de traficantes senegaleses.

Com a evolução dos acontecimentos, McDonagh deve lidar com outros problemas, como dívidas de jogo, seu relacionamento com a prostituta Frankie [Eva Mendes, musa], e as investigações da Corregedoria, que está em seu encalço. Com isso, o ritmo do filme fica dinâmico, sendo entremeado por diversas cenas chocantes, que contribuem para a construção do caráter do infame policial.

Herzog realiza um filmaço, se utilizando de todos os recursos que lhe cabem. A relação do policial aproveitador com seu ambiente – uma Nova Orleans destruída, que tenta se reerguer depois do Katrina – é bem desenvolvida, tal qual o enlouquecimento do personagem de Nicolas Cage. Munido de uma trilha sonora eficiente, Herzog ainda realiza sequências completamente surreais, com a presença de iguanas e dançarinos de rua. Além disso, o roteiro coroa o filme na parte final, sem se deixar levar por mudanças de personalidade dos personagens principais. Terence McDonagh é um cara desprezível, e assim o será.

É interessante notar que o filme se apodera de alguns pontos da obra original, e o próprio Herzog sempre deixou claro que não estava fazendo um remake. Houve até descontentamento de Abel Ferrara ao saber que seu filme de 1992 teria uma nova versão, e o diretor italiano desceu a lenha em Nicolas Cage. Bem, nesse caso ele queimou a língua: como podemos relembrar, Cage tem interpretações poderosas quando desempenha personagens malucos e intensos. Vício Frenético é um filmaço, com a dose certa de suspense, drama, ação e loucura.

“Vício Frenético” – Excelente


Ações

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One response

25 03 2011
marcelo

Herzog e Ferrara são dois dos meus diretores preferidos. Este filme não é uma refilmagem porque não tem absolutamente nada igual da outra versão, exceto o fato do Cage e do Keitel serem policiais. Mas entre os dois filmes prefiro o do Ferrara. Dos últimos filmes do Herzog me amarrei no Homem Urso e O Sobrevivente.

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