The Unforgiven

1 04 2011

Clint Eastwood é um cara sensacional. Trabalhou com nomes ímpares para a história do cinema e garantiu sua imortalidade ainda como ator – já no começo dos anos 70 Eastwood vivera o Homem Sem Nome e Dirty Harry (só né!). Como diretor, em 1976 já mostrou que tinha muito talento, e que poderia ser um diretor excelente – falo de Josey Wales, lembra? Pois bem, Os Imperdoáveis, de 1992, coroa todo o passado de Clint com o gênero western, e ainda traz um filme único, com personagens fascinantes, e trajetórias marcantes.

O que credencia Os Imperdoáveis ao hall dos faroestes imortais é uma inusitada dicotomia entre sensibilidade e a “crueza” dos homens que viveram no Velho Oeste, terra dura, sofrida, cruel. Desde o princípio percebemos que William Munny [Clint Eastwood, num show de atuação] é um homem arrependido de seu passado; porém, somos o que somos, e é inevitável fugir disso. Com dois filhos pequenos para criar, e uma fazenda que mais parece fruto do karma, e ele é forçado a pegar em armas novamente. Para tal, embarca em uma improvável jornada ao lado de seu antigo companheiro Ned Logan [Morgan Freeman] e de “Schofield Kid” [Jaimz Woolvelt] para caçar uma dupla de cowboys que retalhou a face de uma prostituta na pequena Big Whiskey.

Sóbrio e sem atirar em alguém a pelo menos dez anos, Munny percebe que seu mundo já não é mais o mesmo. Seus pecados do passado o assombram de diversas formas: desde as lembranças de sua falecida esposa Claudia, até a dificuldade em montar em seu arredio cavalo. Além disso, a cada cavalgada o trabalho se torna mais difícil – principalmente pela figura ameaçadora do xerife Little Bill [Gene Hackman, bem como sempre]. O que antes era um trabalho como “aqueles dos velhos tempos” se transforma em uma questão de honra. A honra de uma prostituta – bem simbolizada pela frase “we can be whores, but we are not horses” -, a honra de um xerife, a honra de assassino cruel. Além disso, as coisas mudam de figura quando o demônio interno de Munny desperta: William não hesita em “ceifar tudo o que um homem tem, e tudo que ele poderia ter”.

Os Imperdoáveis partilha as mesmas planícies abertas e vazias de tantos outros clássicos do gênero e o mesmo jogo de poder entre pistoleiros. Eastwood proporciona boas cenas, municiado de diálogos potentes e personagens ricos. Mas, no âmago de tudo isso, há uma impressionante história que mistura honra, vingança, determinação e amor, daquelas que não se vêem todos os dias. Um clássico, uma ode ao Velho Oeste, uma obra-prima.

“Os Imperdoáveis” – Excelente


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2 responses

2 04 2011
João do caminhão

Não sou muito fã de faroestes. Não é um gênero que eu curta muito. Mas esse filme é muito bom, graças aos 3 dinossouros contracenando. O melhor mesmo é a transformação do Clint enferrujado, no Clint assassino de sangue frio. A cena final onde ele entra no Saloon e fala que vai voltar e se o seu amigo não tiver um enterro decente as pessoas ali vão pagar caro já vale o filme todo graças a atuação do Clint.

2 04 2011
hqsubversiva

Sim, todo o processo de renascimento do assassino contido dentro dele é foda. Pra mim é mais simbólica a cena que ele descobre sobre o Ned, e que ele começa a tomar whiskey… um gesto simples, que diz tudo.

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