Os Amantes

6 04 2011

Somos seres essencialmente perdidos, embrenhados em nossos complexos sentimentos. Talvez seja por isso que tantos procuram durante a vida um outro alguém para dividir as incertezas, alegrias, medos e traumas. Alguns poucos conseguem achar a chamada “alma gêmea”, outros se cansam de procurar, outros ficam estagnados por comodidade com seu(sua) companheiro(a). Neste longo e complexo processo de procura, erramos, somos injustos, somos machucados, nos levantamos, caímos para sempre. James Gray conseguiu traduzir com sensibilidade e intensidade esse amálgama de relações em Amantes, de 2008.

Leonard Kraditor [Joaquin Phoenix] é um homem que acabou o noivado e entrou em uma profunda depressão. Tentou se matar algumas vezes, mas não obteve sucesso. Morando com seus pais, acaba conhecendo Sandra Cohen [Vanessa Shaw], par arranjado graças à fusão da empresa de seu pai. Simultaneamente, conhece Michelle Rausch [Gwyneth Paltrow], sua vizinha do andar superior.

Gray apresenta situações emocionais que todos viveram, ou ainda viverão: a dicotomia entre a segurança e o incerto, o intenso e o constante, o passional e o racional. Phoenix vive um homem perturbado pelas marcas do passado, que se depara com caminhos opostos, com decisões que podem lhe custar tudo o que reconstruíra no pós-noivado. E mais do que isso: não há caminho certo ou errado, há apenas escolhas e consequências. E ainda se adiciona a tudo isso o acaso que, tal qual na vida real, nos faz mudar de planos, atitudes.

Como em Donos da Noite, Gray mostra uma ótica diferenciada para tratar de temas tão recorrentes; no caso de Amantes, temos a perda, o luto, a paixão, a desilusão e a esperança. Sem grandes invencionismos, James realiza belíssimas cenas, carregadas de simbolismos que ajudam a subverter a lógica do típico “romance de recuperação” – alguém perdeu o relacionamento, se apaixona e é feliz pra sempre. Lindo, poderoso, intenso: outro filmaço do James Gray.

“Amantes” – Excelente

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2 responses

7 04 2011
Caio

Top 3 da década.

8 04 2011
Luiz Alexandre

Um dos melhores de todos os tempos. Ao menos nos meus tempos.
Freud definiu o homem como um ser formado por vastas emoções e pensamentos imperfeitos. Esse é o Leonard. Esses somos nós. Formidável.

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