Highlander, 1986

15 05 2011

Ok, os anos 80 foram muito bregas, eu sei. Mas entre mortos e feridos, salvaram-se muitos! Dentre eles, é impossível esquecermos um clássico que tem ficado cada vez melhor com o tempo: Highlander – O Guerreiro Imortal, de 1986. Munido de uma ideia genial – um homem condenado a viver eternamente, vendo aqueles com quem se importa morrerem ao seu redor -, o australiano Russell Mulcahy fez o filme da sua vida, com uma trilha sonora grandiosa, personagens sensacionais e aquela atmosfera típica oitentista.

Connor MacLeod [Christopher Lambert] nasceu com o dom/maldição de ser imortal. Entretanto, o escocês descobre isso da pior forma: é morto numa batalha contra os bárbaros e retorna à vida. Banido de seu clã, o escocês conhece o egípcio/espanhol Juan Sanchez Villa-Lobos Ramirez [Sean Connery], que o torna seu aprendiz. MacLeod deve ser treinado para enfrentar o bárbaro (e também imortal) Victor “The Kurgan” Kruger [canastríssimo Clancy Brown], responsável por sua primeira “morte”, e inimigo declarado com o passar dos séculos. Dividido entre as emoções humanas e seu fardo da imortalidade, MacLeod deverá enfrentar seu grande inimigo nos dias atuais (leia-se “1985”), e tornar-se o único.

É impressionante que, 25 anos depois de seu lançamento, Highlander mantenha sua força. O filme é obviamente datado – no visual e sonora, principalmente -, mas a obra criada pelo roteirista Gregory Widen contém uma história poderosíssima. As diversas possibilidades de um homem que vaga pelos tempos são muito bem aproveitadas por Mulcahy: vemos o carismático Connor nas Highlands escocesas do século XVII e XVIII, o vemos na era das grandes realezas britânicas, na Segunda Guerra Mundial e na atualidade em ótimas sequências. Além disso, a escolha pelo (ainda novato e promissor) Christopher Lambert, francês que havia atuado no ambicioso “Greystoke -A Lenda de Tarzan, o Rei da Selva”, é acertadíssima: sua expressão triste e ar misterioso se encaixam como uma luva no personagem.

Outro atrativo do filme é o elenco de apoio, com ênfase na participação de um encantador Sean Connery como amigo e mentor de MacLeod. A única pena em relação a seu personagem é que não podemos ver algumas de suas passagens do passado – Ramirez é um egípcio nascido mil anos antes de Cristo, e passou pelo Japão pré-era feudal e outras grandes civilizações; talvez isso não tenha sido possível pelo orçamento e pela agenda do escocês, que filmou toda sua participação em apenas uma semana de trabalhos. A química entre Lambert e Connery merece um adendo: no curto período de filmagem do escocês os dois se tornaram grandes amigos, chamando um ao outro apenas pelos nomes de seus personagens. Aliás, a amizade foi tão vindoura que Sean retorna na sequência Highlander II – The Quickening, de 1991.

Outro que rouba a cena é Clancy Brown no papel de um dos vilões mais estranhos, canastrões e badass do cinema contemporâneo. As sequências do trânsito (ao som de uma releitura barulhenta e maluca de “New York, New York” pelo Queen) e do encontro com MacLeod na igreja são simplesmente memoráveis. E me parece que a existência de um personagem como Kurgan só é possível na década de 80 mesmo, com todo seu style “sadomasô-couro-cicatrizes-com-grampos-e-batidas-com-efeito-sintetizador-de-fundo”.

Vale destacar também que as sequências de luta do filme são muito boas, com uma direção segura e um estilo peculiar – afinal, um Imortal só morre quando decepado (e suas forças e lembranças passam àquele que o derrotou) – nos embates de espada (pois estes espadachins viveram por séculos a fio, e vivenciaram diferentes ideologias, filosofias e estilos de luta). Mulcahy não se censura, e há bastante violência estilizada. Claro que os efeitos especiais da época não tinham as possibilidades dos dias de hoje, mas é simplesmente sensacional ver o Imortal vencedor flutuando com relâmpagos, ventos e luzes fortes enquanto incorpora as forças e memórias de seu adversário. Sem contar, é claro, com todas as frases de efeito do filme, com destaque para a clássica “Só Pode Haver Um!“.

Por último mas não menos importante está a trilha sonora. Com músicas sob responsabilidade de ninguém menos que o Queen – que vivia num dos melhores momentos de sua carreira em 1985/86 -, e com as melodias regidas por Michael Kamen (responsável pelo maravilhoso álbum S&M do Metallica), a parte sonora de Highlander é impecável. para se ter noção, dois dos maiores clássicos do Queen foram compostos especialmente para o filme: “Who Wants to Live Forever” e “A Kind of Magic“! Há de se dizer que o Queen iria compor apenas a música-tema do filme, mas após ver o material completo a banda insistiu em compor toda a trilha sonora.

Highlander tem muitos momentos piegas e bregas, que podem ofuscar todas essas características positivas listadas acima. Não nego que você tem que compreendê-lo como típico fruto dos anos 80 para realmente apreciá-lo. Para muita gente, esse monte de sintetizadores, Queen, visual bizarro e mullets/permanentes torna o filme tosco. Bem, pena pra esses, porque não conseguem ver a grande história por trás de todo esta atmosfera oitentista, não conseguem apreciar um dos filmes mais legais e divertidos da época. Simplesmente sensacional, e cada vez mais poderoso.

Highlander – O Guerreiro Imortal” – Excelente


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3 responses

17 05 2011
JFelippe Mac Bastos

Um filme primoroso.

Que início, meu! Que início! O MacLeod sentadão no meio daqueles fanáticos por luta livre, aquele pandemonium rolando, e aquele cara no meio da multidão… com os olhos em outro mundo. foda demais! alí de cara, o filme disse a que veio!
Aqueles cortes temporais pegando elementos-chaves de um mundo ou de outro…
E o filme ainda tem sentimento.
Uma das trilhas sonoras mais perfeitas de todos os tempos, diga o que quiser quem torce o nariz pro Queen.
Enfim, provavelmente existem mais méritos que nao estou lembrando… masss é um filme primorosos.

26 05 2011
Caio

Tem um climão dos mais fudidos mesmo.

28 12 2015
Fabricio (FF)

Simplesmente uma obra prima, da música (Queen Forever) ao enredo do filme. Marcou meu amor pelo Cinema, e mesmo que alguns digam quem os anos 80 foram piegas ou alto do tipo, para mim foram anos simplesmente fantásticos e este filme é uma Prova disso! Highlander é realmente Imortal! There can be only one! Fabricio (FF).

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