Dexter – 1ª Temporada

30 05 2011

Miami é um lugar quente. Com toda a presença e influência latina, há um bafo que emerge das ruas e contamina tudo e todos. Entretanto, no meio da multidão há um ser frio, que destoa de todo este calor inerente a Miami; seu nome é Dexter Morgan [Michael C. Hall, genial], especialista em análise de sangue e o serial killer mais eficiente e impiedoso que você pode imaginar. Parte da equipe de Homicídios do Miami Metro Police Department, Dexter é filho do renomado (e falecido) Harry Morgan [James Remar], lenda do departamento policial da cidade. Sua irmão, Debra Morgan [Jennifer Carpenter], é uma policial de rua ambiciosa com faro de sangue e uma vontade incontrolável de se tornar detetive. Na equipe “titular” da Homicídios, temos ainda a tenente Maria Laguerta [Lauren Vélez], o Sargento Angel Batista [David Zayas, O Cara!], o legista Vincent Masuka [C.S.Lee, hilário] e o desconfiado Sargento James Doakes [Erik King]. Há ainda, no campo pessoal, a encantadora Rita Bennett [Oh my oh my, Julie Benz], recém-separada e interesse amoroso de Dexter.

Apresentado o cast principal, vamos ao panorama desta primeira temporada: graças a seu trabalho como policial, Dexter sabe quais criminosos acabam sendo “esquecidos” pela Justiça, e possui todo o conhecimento necessário para saciar sua sede de sangue. Neste primeiro momento não há necessariamente uma carga de “mato-porque-este-é-o-correto”, pois Morgan assassina meticulosamente suas vítimas porque sente uma necessidade, uma ânsia maior que quaisquer outras relações humanas possíveis. Então surge um novo serial killer na cidade, o Ice Truck Killer. Suas vítimas são prostitutas, mortas como vacas no abate – ele as faz sangrar até a morte, e depois retalha seus dedos e os deixa para a polícia. Como ainda será percebido ao longo da série, Dexter se sente ainda mais vivo na caça deste assassino, porque não há apenas a vontade de matar alguém que merece: há a vontade de mostrar que ele é o melhor.

Esta primeira temporada é focalizada na consolidação dos principais personagens do seriado. Conhecemos um pouco da formação do caráter doentio e sistemático de Dexter – “nascido em sangue”, no massacre de sua mãe, resgatado por Harry, seu futuro pai adotivo. As cartas são postas na mesa, por assim dizer: conhecemos os métodos obsessivos de Dex – os plásticos, o avental, o conjunto de facas, a mesa, as vítimas nuas -, a desconfiança do badass James Doakes, a ambição de sua irmã Debra (além de sua boca suja e promiscuidade) e o existencialismo de Dexter. É genial notar como o protagonista é um grande fingidor, que, graças ao Código de Harry – ensinamentos de seu pai adotivo para que não fosse descoberto -, sabe fingir e se misturar à multidão como poucos. Uma máquina perfeita de matar, Dexter acaba descobrindo sensações e sentimentos nunca dantes sentidos, como raiva, tesão, alegria e por aí vai.

Conforme os episódios passam, a trama traz cada vez mais surpresas, e prende os espectadores cada vez mais. Há episódios e cenas memoráveis – principalmente aquelas antecedidas pela música-tema do seriado e outras melodias criadas especialmente para as séries. E há um tom intimista que permeia esta primeira temporada, que não cria grandes cenas de ação com explosões, tiros e afins; tudo é feito na surdina, há um grande jogo de gato-e-rato entre vários personagens – Dexter e Ice Truck Killer, Debra e Ice Truck Killer, Dexter e Doakes, dentre outros -, o que deixa tudo ainda mais tenso.

A reta final da temporada é das coisas mais intensas e angustiantes (para aqueles que tiveram que ver o episódios semanalmente) da última década; Born Free, o último episódio, é catártico para boa parcela dos personagens principais da série – principalmente Debra e Dexter, que descobre sua surpreendente ligação com o Ice Truck Killer. Boa parcela dos méritos de uma 1ª temporada sufocante e emocionante podem ser creditadas ao diretor Michael Cuesta – diretor de ótimos episódios, como o primeiro (Dexter) e o último (Born Free) -, mas principalmente em James Manos Jr. E Jeff Lindsay. Lindsay é o criador dos livros que inspiraram a série, e Manos o responsável por trabalhar na adaptação deste material para o formato televisivo.

Hoje, depois de ver todas as temporadas de Dexter, ainda acho que esta primeira é a minha favorita. O clima de tensão e os personagens ainda “novos” proporcionam uma liberdade criativa muito bem aproveitada, criando momentos inesquecíveis. Destaco aqui alguns episódios, como “Dexter”, “Let’s Give The Boy a Hand”, “Circle of Friends”, “Shrink Wrap”, “Father Knows Best”, “Seeing Red”, “Truth Be Told” e, por fim, “Born Free”. Como vocês podem perceber pela quantidade de indicações, a 1ª temporada é realmente sensacional.

Dexter (1ª Temporada) – Excelente


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