Dexter – 4ª Temporada

2 06 2011

Dizem que quando nosso primeiro filho nasce, todas nossas preocupações em relação ao mundo mudam. Nosso bem-estar fica em segundo plano, nossas necessidades perdem lugar em detrimento da nova vida, que está sob nossa responsabilidade. Nem todos lidam bem com essa mudança de status quoDexter Morgan é uma dessas pessoas. Agora papai do pequeno Harrison, Dexter não tem mais toda aquela privacidade e intimidade consigo mesmo. Novo morador dos “aconchegantes” subúrbios à la american way of life, Dexter está obviamente em um período de difícil adaptação.

Pra piorar, nosso adorado Dark Defender se depara com um dos maiores serial killers da história dos EUA: o Trinity Killer [John Lithgow, genial]. Ao conhecer o temido assassino, Dexter descobre que Arthur Mitchell é, na verdade, um devotado pai de família, membro ativo na comunidade e líder religioso exemplar. Assim, sob a alcunha de Kyle Butler, Dexter se aproxima de Mitchell para tentar aprender como balancear sua vida como líder de família e ainda assim saciar sua sede de sangue. Pronto, o circo está montado: a quarta temporada é uma das melhores realizações do gênero nos anos 2000.

O maior mérito da quarta temporada de Dexter é não ter medo em surpreender seus espectadores – do lado oposto da terceira temporada burocrática. Logo no início da temporada já temos aquele baque com o retorno e o trágico fim do genial Frank Lundy, e percebe-se que o seriado não está pra brincadeira. É claro que a cereja do bolo vem no fim da temporada, com aquela imagem emblemática que nenhum fã imaginou… o toque de crueldade dos roteiristas com Dexter chegara a seu ápice.

Outro ponto que merece ser destacado é o personagem de Lithgow. Arthur Mitchell é uma figura sombria, aterrorizante e assombrada, fascinante. Durante a temporada Dexter subverte nossas expectativas; ao invés de apenas matar o Trinity Killer, Morgan tenta aprender um pouco com este ser fascinante. Assim, acaba se envolvendo em uma perigosa relação de mestre-aprendiz-algoz que mantém a tensão desde o início da temporada. O “jogo de xadrez” que os dois travam ao fim, onde cada erro pode ser fatal e catastrófico, é dos melhores clímax de seriados da década, com certeza.

Em termos de qualidade, a quarta temporada de Dexter não deve nada a primeira. De certa forma, vejo a relação destas temporadas como a dualidade Três Homens em Conflito-Era Uma Vez no Oeste: ambas são geniais e normalmente são, uma ou outra, a favorita dos fãs. Eu ainda prefiro a primeira temporada, pelo choque inicial e pela construção das relações de Dexter com aqueles que o cercam; ao mesmo tempo, é inegável que esta saga de Dex contra o Trinity Killer seja uma aula de narrativa e condução de tensão para seriados. De qualquer modo, Dexter volta ao seu lugar honroso: o topo.

Dexter (4ª Temporada) – Excelente


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