Robocop

7 06 2011

Paul Verhoeven sempre foi um cara bem controverso, polêmico. Com Robocop, de 1987, o holandês maluco conta uma fábula repleta de crítica/sátira social, recheada com muita violência e boas sacadas. Há inúmeros pontos a se destacarem, que mostram a maestria do roteiro de Edward Neumeier e Michael Miner e o talento do diretor holandês: a batalha psicológica do recém transformado Robocop, que deve lidar com suas memórias e sentimentos humanos, enquanto preso naquele corpo robótico, programado e facilmente controlável. Acho genial também a caracterização da força policial de Detroit. Estamos acostumados a ver policiais como heróis ou vilões no cinema, e Verhoeven nos traz uma visão política sobre a categoria: tal qual uma classe social oprimida pelos poderosos, a força policial de Detroit é engajada e luta pelos seus direitos – chegando inclusive a debater greves pro melhorias nas condições de trabalho. Falando ainda dos poderosos, Robocop os caracteriza como a corja que realmente são: pensando apenas nos lucros, independentemente de quem esteja em seu caminho; a sequência de teste do robô pré-Robocop é muito elucidativa neste sentido, pois a morte acidental de um dos altos executivos da OCP significa apenas que o robô “precisa de ajustes”. Há ainda toda a programação de TV fake do filme, absolutamente sensacional – minha propaganda favorita é do jogo de tabuleiro “Nuke’em”, onde uma típica família americana brinca de Deus municiada por bombas nucleares (!!!!) -, sarcástica e ácida.

Não podemos nos esquecer também da trilha sonora do filme, com a música-tema eternizada por sua grandiosidade (quem não lembra dos imponentes “TAN TAN TAN TAN TAN, TANTANTANTAN” orquestrados?) – composta por Basil Poledouris (o mesmo de “Caçada ao Outubro Vermelho” e “Conan”). De resto, Robocop também funciona muito bem como filme de ação. Tiroteios bem filmados, frases de efeito e sequências antológicas moldam este clássico instantâneo. Sem frescuras e com muita violência – vide a sequência final ou a execução de Alex Murphy [Peter Weller, com seu sentimentalismo robótico] -, Verhoeven faz uma obra que não tem medo de ousar. Repleto de crítica social, violência e boas cenas, Robocop é, com certeza, uma obra-prima.

“Robocop” – Excelente


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2 responses

8 06 2011
marcelo

Um filmaço, sem dúvidas amigo.

SPOILER——————————————————————————————————————————– A cena do massacre do policial pela gangue no início do filme entra para o hall das mais sádicas e cruas do genêro————————-

Observo muitas semelhanças no estilo/clima deste filme do Verhoeven, com a filmografia de Abel Ferrara e até alguma coisa do Willian Friedkin ( Viver e Morrer em LA)

8 06 2011
hqsubversiva

É, meu caro, filmaço! E, de fato, a execução é de uma crueldade ímpar, sadismo de primeira linha.

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