Thor (AKA Potencial Perdido em Asgard)

20 06 2011

Devo confessar que fiquei um pouco preocupado com que vem a seguir após assistir a Thor, de 2011. Isso não necessariamente quer dizer que os filmes da Marvel Studios estejam “piorando” muito a ponto de se tornarem ruins, mas eu seria hipócrita se dissesse que o nível de Homem de Ferro 1 estivesse sendo mantido. Para a grande maioria, o filme do deus nórdico funciona como bom entretenimento, mas fica devendo muito para quem preza por uma boa adaptação de quadrinhos.

 

Quando fiquei sabendo que Kenneth Branagh seria o diretor de Thor, fiquei empolgado pelas possibilidades dramáticas do filme, já que o britânico vem de uma escola de atuação teatral, e sempre trabalhou com adaptações da obra de Shakespeare, expert em grandes dramas e conflitos familiares. Por conta disso, não esperava sequências de ação inesquecíveis, mas boas sequências do triângulo familiar Thor-Loki-Odin. Não sei se é necessariamente o abismo de qualidade de Anthony Hopkins (Odin) em relação à dupla Chris Hemsworth (Thor) e Tom Hiddleston (Loki), mas o filme fica devendo neste quesito, que, em tese, seria seu principal atrativo.

No quesito visual, os efeitos são deslumbrantes sim, e Asgard é de se encher os olhos. Porém, as cenas de ação ficam apenas na média, sem nenhuma que se sobressaia. Um bom exemplo é a chegada do Destruidor no pequeno povoado para enfrentar Thor e o quarteto Volstagg-Fandral-Hogun-Lady Sif: num cenário propício a muitas porradas e explosões, tudo fica insosso demais. Sem contar a filhadumaégua shaky camera que se faz presente durante todo o filme – a luta dos cinco asgardianos e Loki contra os gigantes do gelo é outro exemplo de como não se filmar uma cena de porradaria.

Ao fim do filme, parece que Thor veio apenas para preencher uma lacuna no Universo Marvel que está sendo progressivamente construído para preparar o público para o filme dos Vingadores, em 2012. Neste ponto, o filme é eficiente em apresentar elementos comuns ao “mundo” de Tony Stark, mostrar o Gavião Arqueiro [Jeremy Renner, em uma tímida aparição] e armar terreno para a “unificação” dos males deste universo – a cena pós-créditos é crucial neste gigante quebra-cabeças. Se vale destacar algo do filme, é que não houve medo em inserir um personagem essencialmente “mágico” como Thor – calcado em mitologias, lendas e objetos sagrados – neste até então universo mecanicista da Marvel (os filmes da franquia Iron Man são fantasiosos, mas tudo se trata de uma grande história de robôs e tecnologia, não?). O que fica para o longa do Capitão América? A esperança que a ação seja melhor trabalhada, e que se lembrem que um filme de super-heróis precisa de doses cavalares de brigas boas sem cair no câncer do crossover: a política de “bater-primeiro-perguntar-depois” que tanto odiamos.

“Thor” – Regular

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