Apenas os Bons Morrem Cedo

22 06 2011

Aproveitando o gancho da reformulação na DC Comics, que lançará uma série especial para os personagens westerns do UDC, a All-Star Western Comics, resolvi criar um pouco de vergonha e ler um pouco da atual fase do nosso caçador de recompensas deformado, Jonah Hex. O especial “Apenas os Bons Morrem Jovens” foi publicado aqui no país pela Panini neste mês de maio, e engloba o período entre os números 19 e 24 da série regular de Hex nos EUA. Sob a batuta de Jimmy Palmiotti e Justin Gray nos roteiros, e os desenhos de Phil Noto, Jordi Bennet e David Michael Beck , se trata de uma boa compilação de histórias do personagem do Velho Oeste. Como já esperado, o título da compilação não tem muito a ver com o teor das histórias – como muitos western spaghetti por aí -, mas fica nítido que a atual fase de Jonah Hex é muito legal.

São cinco histórias diferentes, que envolvem desde caçadas humanas pelo Oeste americano, passando por guerras “tecnológicas” entre Edison e Tesla e uma bruxaria ou outra. Todas as tramas são roteirizadas pela dupla Palmiotti-Gray, o que garante uma “linha editorial” interessante para as histórias: são tiros curtos, sem uma grande continuidade a ser seguida. Pura e basicamente, se trata de uma série de episódios fechados em si, cujo grande mérito é o dinamismo: o ritmo é bem rápido, e não grandes enrolações. Com muita ação e quebras de linearidade, a dupla faz ótimas histórias – com ênfase para “A Garra do Demônio” e “Negócios Inacabados”.

Na parte visual, me apeteceu bastante o estilo do traço de Bennet e de  Noto; Bennet tem um desenho que segue uma linha mais retrô, à la Darwyn Cooke (A Nova Fronteira), enquanto Noto tem um estilo mais contemporâneo, bastante “limpo”, similar ao de alguns longa-metragens da DC Comics. Não gostei muito do estilo de Michael Beck, que segue aquela linha Alex Ross/Felipe Massafera, de pintura pseudo-fotorrealista, acredito que seu traço atrapalha um pouco o ritmo da trama “Dia das Bruxas”.

Traço de Phil Noto em "Dinheiro do Texas"

Em linhas gerais, a compilação é muito competente, sem grandes invencionismos narrativos ou visuais. “Apenas os Bons Morrem Jovens” tem 148pgs. e custa R$14,90 nas bancas de quadrinhos, preço justo levando-se em conta o material oferecido; dentre os destaques, vale a pena citar a aula de HQ no início de “A Garra do Demônio”, com uma vislumbrante página dupla mostrando o estupro e massacre de um grupo de mulheres em um saloon mal-encarado, e as quatro páginas (sem diálogo algum) onde Hex, preso de ponta cabeça no meio do deserto, tenta se libertar – chegando a arrancar a cabeça de alguns urubus para cortar as cordas (!!!). Para quem gosta de western, quadrinhos ou ambos, é um investimento honesto e bem legal.

“Apenas os Bons Morrem Jovens” (Jonah Hex) – Muito Bom

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