Bronson

27 06 2011

Michael Gordon Peterson é considerado o “prisioneiro mais violento da história da Grã-Bretanha”. Preso em 74 por conta de um assalto, foi sentenciado a 7 anos de prisão. Porém, atrás das grades Peterson se transformou em uma espécie de fúria personificada, e adotou a alcunha de Charles Bronson. Bronson passou mais de 30 anos de suas inúmeras penas prisionais em uma solitária. Sob as mãos de Nicolas Winding Refn, o prisioneiro está eternizado. Em Bronson, de 2008 (o filme foi lançado em 2009, mas consideremos neste post a data fornecida pelo IMDB), um irreconhecível Tom Hardy dá vida a um personagem fascinante, intenso e brutal.

A tônica de “Bronson” é relativamente simples: Refn alterna momentos de reflexão e devaneios do personagem principal com acontecimentos brutais ao longo da vida de Charles. Numa espécie de pingue-pongue entre as incontáveis brigas e “peripécias” de Bronson atrás das grades contra guardas e prisioneiros, vemos uma persona circense num palco diante de uma platéia ávida por gritos, sussurros, sangue, choro e risos. Nesta mistura de fatos e epifanias, a trilha sonora composta por melodias clássicas tem papel crucial na construção deste personagem único.

Não sei se sou o único, mas vejo grandes semelhanças entre “Bronson” e “Laranja Mecânica”, de Kubrick. O caminho de Charles Bronson e Alex DeLarge é distinto: enquanto o musculoso bigodudo insiste numa luta eterna contra o Sistema, DeLarge aceita o papel que lhe é incumbido; porém, a certo ponto, ambos conseguem a mesma liberdade. A diferença principal é que o jovem delinquente de Kubrick se submete aos desejos dos poderosos que podem torná-lo um homem livre – mesmo que à custa de muito sofrimento físico e psicológico -, enquanto Charles quebra o Sistema à base de violência, balbúrdia e até um senso anárquico. A Rainha se cansa de tantos problemas causados por Bronson, e decide libertá-lo a certa altura. Mas sua casa não é o mundo, Bronson é o fator complicador de toda uma estrutura rígida e xiita de reclusão.

“Bronson” é, em primeiro lugar, uma história brutal e, de certo modo, onírica de um personagem único. Uma “aberração social” que passou a maior parte de sua vida isolado do mundo, confinado a alguma cela suja, fria e minúscula, que não sabe viver com a liberdade em suas mãos. Completamente desajustado às relações sociais com outras pessoas, Bronson se faz ser entendido por meio da brutalidade e da violência. O verdadeiro Michael Gordon Peterson disse, em gravação, antes da premiere do filme na Inglaterra: “Estou orgulhoso desse filme, porque se cair morto amanhã, continuarei vivendo. Não faço rodeios quanto a isso, eu realmente era… um homem violento, nojento, horrível. Não tenho orgulho nem arrependimento quanto a isso…” Tom Hardy traduz com fidelidade isso: é um incêndio que não se apaga, um terremoto que não para. E assim o seguirá, imortalizado.

“Bronson” – Muito Bom


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