Unstoppable

28 06 2011

Tony Scott nunca foi grandes coisas: nunca teve ótimos momentos como seu irmão, mas conseguiu desenvolver, ao longo dos anos, uma espécie de estética só sua. Com suas cenas repletas de blurring (aquele efeito meio borrado), fotografia meio “suja”, ele conseguiu fazer seu nome em Hollywood – não que isso signifique muito, claro. Quando fiquei sabendo do lançamento de Incontrolável, de 2010, nem dei muita bola, pra ser sincero. Porém, depois de ler alguns textos interessantes sobre o filme, resolvi dar uma chance ao Tony, e não é que ele me surpreendeu? O filme, baseado em fatos reais, conta um quase-desastre envolvendo um trem desgovernado pelo estado da Pensilvânia. Este trem foi salvo pela ousadia e coragem de dois homens comuns, condutores de um trem que quase se choca frontalmente com o descontrolado e “incontrolável” 777. O mérito principal do filme é sua parte técnica (não à toa foi indicado ao Oscar de Efeitos Especiais): com tomadas lindíssimas e uma fotografia impecável, o filme cria ainda um nível absurdo de tensão – pois não se sabe se o trem vai bater, se vai ser freado. Além disso, Scott contou com uma ótima dupla de protagonistas – Chris Pine e Denzel Washington -, que têm uma química bem legal e boas atuações. Há, ao fundo, ainda a mensagem do homem comum que desafia os poderosos (personificados pelo chefe de tráfico da companhia férrea, que faz cagada após cagada) e salva o dia por motivos nobres – sem cair num mais do que provável patriotismo vazio. Recomendado!

“Incontrolável” – Muito Bom





Bronson

27 06 2011

Michael Gordon Peterson é considerado o “prisioneiro mais violento da história da Grã-Bretanha”. Preso em 74 por conta de um assalto, foi sentenciado a 7 anos de prisão. Porém, atrás das grades Peterson se transformou em uma espécie de fúria personificada, e adotou a alcunha de Charles Bronson. Bronson passou mais de 30 anos de suas inúmeras penas prisionais em uma solitária. Sob as mãos de Nicolas Winding Refn, o prisioneiro está eternizado. Em Bronson, de 2008 (o filme foi lançado em 2009, mas consideremos neste post a data fornecida pelo IMDB), um irreconhecível Tom Hardy dá vida a um personagem fascinante, intenso e brutal.

A tônica de “Bronson” é relativamente simples: Refn alterna momentos de reflexão e devaneios do personagem principal com acontecimentos brutais ao longo da vida de Charles. Numa espécie de pingue-pongue entre as incontáveis brigas e “peripécias” de Bronson atrás das grades contra guardas e prisioneiros, vemos uma persona circense num palco diante de uma platéia ávida por gritos, sussurros, sangue, choro e risos. Nesta mistura de fatos e epifanias, a trilha sonora composta por melodias clássicas tem papel crucial na construção deste personagem único.

Não sei se sou o único, mas vejo grandes semelhanças entre “Bronson” e “Laranja Mecânica”, de Kubrick. O caminho de Charles Bronson e Alex DeLarge é distinto: enquanto o musculoso bigodudo insiste numa luta eterna contra o Sistema, DeLarge aceita o papel que lhe é incumbido; porém, a certo ponto, ambos conseguem a mesma liberdade. A diferença principal é que o jovem delinquente de Kubrick se submete aos desejos dos poderosos que podem torná-lo um homem livre – mesmo que à custa de muito sofrimento físico e psicológico -, enquanto Charles quebra o Sistema à base de violência, balbúrdia e até um senso anárquico. A Rainha se cansa de tantos problemas causados por Bronson, e decide libertá-lo a certa altura. Mas sua casa não é o mundo, Bronson é o fator complicador de toda uma estrutura rígida e xiita de reclusão.

“Bronson” é, em primeiro lugar, uma história brutal e, de certo modo, onírica de um personagem único. Uma “aberração social” que passou a maior parte de sua vida isolado do mundo, confinado a alguma cela suja, fria e minúscula, que não sabe viver com a liberdade em suas mãos. Completamente desajustado às relações sociais com outras pessoas, Bronson se faz ser entendido por meio da brutalidade e da violência. O verdadeiro Michael Gordon Peterson disse, em gravação, antes da premiere do filme na Inglaterra: “Estou orgulhoso desse filme, porque se cair morto amanhã, continuarei vivendo. Não faço rodeios quanto a isso, eu realmente era… um homem violento, nojento, horrível. Não tenho orgulho nem arrependimento quanto a isso…” Tom Hardy traduz com fidelidade isso: é um incêndio que não se apaga, um terremoto que não para. E assim o seguirá, imortalizado.

“Bronson” – Muito Bom





Liga da Justiça Reloaded

27 06 2011

O Omelete divulgou a nova formação da Liga da Justiça, sob a batuta de Geoff Johns e Jim Lee: Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde (Hal Jordan), Flash (Barry Allen, supomos), Aquaman e Ciborgue. Da equipe “clássica”, foram removidos o Caçador de Marte e a dupla Gavião Arqueiro-Mulher Gavião. Não vejo problemas em mudanças de equipes e outras alterações do gênero, mas mantenho minha posição sobre este marganhafo todo que o UDC vai se transformar: ainda acredito que não é necessário fazer um reboot em toda a continuidade construída desde 1986. Esta manobra me lembra o tempo em que brincávamos de futebol na rua e, quando o dono da bola se cansava, ele acabava com a brincadeira e mudava as regras, só pra tentar se destacar (já que estava mal no jogo). Há bons escritores e boas ideias na DC Comics, e não é recomeçando numerações e cronologias a partir do zero que teremos muitos leitores iniciantes, ou histórias interessantes…





Paul Thomas Anderson

26 06 2011

Anderson completa hoje exatos 41 anos. Relativamente jovem, já tem tantos ótimos filmes em seu currículo… o que nos faz desejar ainda mais saúde e muito trabalho!

Boogie Nights: Prazer Sem Limites – 1997

Sangue Negro – 2007

Embriagado de Amor – 2002

Magnólia – 1999





Valhalla Rising

25 06 2011

Com as críticas mais do que promissoras de Drive, que ainda será lançado, decidi finalmente assistir aos filmes que havia baixado do dinamarquês Nicolas Winding Refn. Vi seus dois filmes anteriores a Drive, Bronson e Valhalla Rising, (ambos) de 2009. Ainda voltaremos a Bronson, porque é impossível não falar antes de VR. O filme é uma obra-prima, entrou de sopetão no meu top 5 da década passada, e é facilmente o melhor filme que vi neste ano. Refn nos proporciona uma experiência ímpar, que dificilmente pode ser definida com palavras.

A trama de VR se passa por volta do ano 1000 D.C.: o guerreiro One-Eye [Mads Mikkelsen, com uma presença de tela impressionante], que escapa – leiam “massacre que deixa apenas o garotinho Are [Maarten Stevenson] vivo” – de seu cativeiro bárbaro e, seguido pelo menino, se junta a um grupo de guerreiros cristãos em busca da Terra Prometida, onde defenderiam os princípios de Cristo e Jerusalém.

A sinopse acima empobrece o que VR realmente representa. A violência é o fio-condutor da obra, conduzida num ritmo quase que voyeurístico e contemplativo por Refn. A presença de One-Eye se assemelha a alguma espécie de força incontrolável, cujos atos falam por si só. Sem uma linha sequer por todo o filme, o personagem é, como Are define em certa cena, “alguém que subiu do Inferno”. E é interessante perceber que, por meio de longas sequências em silêncio, com lindas ou horrendas paisagens de fundo, a força do personagem suscita uma tensão quase que palpável no espectador.

Segundo o IMDB, há aproximadamente 120 linhas de diálogo durante todos os 89min de projeção. Durante boa parte do filme, os personagens observam seus arredores, sobem/descem colinas e/ou matam e morrem. E assim Refn realiza um filme experimental intenso, brutal e indefinível. O dinamarquês nos mostra um mundo tão duro, selvagem e sanguinolento quanto o próprio inferno. O próprio cineasta afirma que concebeu o filme como uma espécie de “viagem de ácido”. Muito mais coeso e poderoso que um mero efeito colateral alucinógeno, Valhalla Rising é uma obra-prima.

Valhalla Rising” – Excelente








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