Joe Sacco

20 07 2011

Depois de praticamente onze horas e meia passadas dentro dos mais diversos ônibus, sono arranhado e bastante cansaço, lá estava eu diante da tão esperada Tenda dos Autores, em Parati, por volta das 11h40. Poucos minutos depois de rever o grande Aristides Dutra, adentramos o recinto onde finalmente veria, ao vivo e cores, o cartunista/jornalista caricaturesco de olhos de vidro. Audaciosamente desrespeitamos assentos “reservados”, e nos sentamos na terceira fileira, ainda com um pouco de medo de algum brutamontes flipiano gentilmente nos expulsar de lá. Ledo engano: a reserva era, no fim das contas, para nós, fãs e pesquisadores, pessoas que sabem o que aquele baixinho e carismático malto-americano representa não apenas para as HQs, como para o jornalismo e para a visão crítica acerca de nossa sociedade. Apagam-se as luzes, ligam-se os fones de tradução simultânea e ele finalmente adentra o recinto. Humildemente ignoro os fones, não por confiar em meu inglês, mas por fazer questão de ouvir as palavras daquele cujas imagens e frases já me são tão valiosas e simbólicas. Joe confirma aquilo que todos já imaginavam: é uma pessoa altamente esclarecida, consciente de suas convicções e ideologias, inovadora e pra lá de bem educada e gentil. O autor responde com atenção e esmero as perguntas que lhe chegam aos ouvidos, alfineta com classe e esclarece pontos que nós, seu público, nos questionamos há tempos. Finita a tenda, todos estranhamente vão saindo do recinto em direção à fila de autógrafos, enquanto o caricato cartunista permanece conversando com uma pessoa ou outra no palco. Ora, já tinha chegado tão longe, o que me custava tentar uma aproximação e, quiçá, algumas palavras com ele? Driblo a corrente humana dos corredores, e, arranhando um inglês enferrujado, o chamo:

Joe, hey, would you sign my book?”

O autor prontamente me atende, sob os olhares mal encarados de uma  espécie de guarda-costas, que pede para que eu me apresse – afinal, o protocolo estava sendo quebrado. Falo para Sacco que sou um grande fã, e que havia feito meu TCC sobre seu trabalho na Bósnia. Com respeito e atenção singulares, Joe pergunta meu nome – para o autógrafo de meu Notas Sobre Gaza, entupido de post-its que guiarão meu projeto de mestrado, claro. Sonho realizado, saio da Tenda em direção à luz daquele dia ensolarado e frio em Parati. Acendo meu cigarro de mãos ainda trêmulas, já sabendo que aquela não seria a última vez que conversaria com Joe. Dali pra frente, nada mais importa: conheci um dos meus maiores ídolos, que obteve ainda mais admiração de minha parte por seu respeito e ideias, e conquistei meu autógrafo (fui o primeiro de todos!). Este pode ser um relato completamente imparcial e subjetivo da participação de Joe Sacco na FLIP mas, oras, quem se importa com o que pensam os idiotas da objetividade?

Priceless


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One response

21 07 2011
Aristides Dutra

Bacana. Foi realmente muito bom. E melhor ainda com o complemento do debate com ele na FlipZona.

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