I’m so unhappy but, oh, so glad!

4 08 2011

Finalmente encontrara seu algoz. O pega de surpresa com um chute forte da dobradiça inferior esquerda. Ao despender tal esforço para o chute, sente o tilintar dos ossos do maldito se partindo. Em suas veias corre um misto de prazer, raiva e satisfação de finalmente pôr as mãos naquele traste humano. Ah, como temia aquele dia! Tantos pesadelos, tantas lembranças de sua amada, tanta ira em suas mãos. Deixa de lado quaisquer pensamentos: ele é um homem em uma missão. Com o crápula caído em visível agonia por conta do joelho abruptamente quebrado, lhe agarra pelos cabelos, o arrasta com intensidade ao longo da câmara fria e o coloca no gancho como se fosse uma mera carcaça de boi, daquelas com a garganta degolada jorrando todo seu sangue quente pelo chão gélido. Para se fazer uma maldade destas, um homem deve estar centrado. Tal como uma máquina sem questionamentos morais ou arrependimentos, sabia que devia aproveitar cada segundo de sua doce e brutal vingança. Primeiramente, pega o punhal do crápula, o mesmo que havia sido usado para retalhar sua amada. “Calma, homem, aproveite como se fosse sua última refeição. Saboreie. Faça ele sangrar como um porco”, pensa. Primeiro lhe corta os bagos, só para ver como retorcem as pernas. Não profere palavra alguma, um animal não merece justificativa alguma. Algo que nasce para matar deve morrer sem piedade. Depois, faz um corte profundo à altura do baço, dizem que é das piores dores que alguém pode passar. “Se é para doer, faça valer”, pensa, todo pomposo. Os urros e gritos soam como se fosse o coral dos infernos cantando sua sonata mais grandiosa. Mas já se cansara desta canção demoníaca: era hora de ir embora. “Vais demorar no mínimo mais uma hora para morrer. Será, quem sabe, a pior hora de toda sua imprestável vida. Espero que sinta as entranhas do Inferno te puxando. Pense em mim nesta hora, talvez te reconforte”, diz. Sai da câmara, depois do galpão e chega ao seu carro. Abre a porta, senta, bota a chave na ignição e pensa:”Não sei bem o que é, mas é bom”. Liga o rádio, ouve o início da música, sorri e dá a partida.


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4 responses

4 08 2011
Alana Phibes

Adorei!
Ficava repassando algo assim na minha mente um tempo atrás, com uma pessoa que me fez uma baita sacanagem…
e esse é meu Sinatra preferido!;-)

4 08 2011
Osvaldo Neto

Caião, mandou bala! Parabéns.🙂

15 08 2011
cristian voss

Ótimo conto Caio. Considerei uma típica narrativa noir moderna (que eu, pessoalmente, chamo de noir hardcore). Gostei muito também de sua prosa viril, lacônica e clipada, que deixou as detalhadas descrições de violência de sua narrativa ainda mais violentas!

15 08 2011
hqsubversiva

Obrigado pelo elogio, meu caro! Grande abraço.

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