I like(d) your fingertips

26 08 2011

Dizem que o amor se constrói baseado nas coisas pequenas. Singelezas, daquelas que os filmecos românticos que apaixonam as meninas vazias adoram exacerbar. É tipo literatura de auto-ajuda, que todo mundo sabe quão ruim é, mas quase ninguém tem coragem de lembrar que tem uma verdade ou outra perdida naquela bobajada toda. Sendo lugar-comum ou não, sinto falta de pequenas coisas de você. Demorei a me acostumar com a idéia de gostar do seu jeito ranzinza antes do primeiro gole de café recém-passado, enquanto acendia seu filtro vermelho, confesso. Monossilábico. Achava isso muito irritante naquelas primeiras manhãs de sono trôpego que tínhamos. Talvez fossem os orgasmos malucos que causávamos um ao outro, mas eu aturava aquela ranzinzisse, porque sabia que depois do primeiro trago você ficava bobo alegre charmoso com seus princípios de olheiras enquanto falava alguma doce besteirinha pra mim. Gostava quando sua primeira palavra do dia era um beijo daqueles que só você sabe dar, naquela parte de trás da orelha. Bem, na verdade comecei todo este devaneio aqui pra admitir que sinto muita falta da tua respiração forte na minha nuca. Podia falar que sinto tua falta na minha cama, mas isso não é de todo verdade. Pior: não honraria uma lembrança sensorial tão marcante como seu cheiro de último-cigarro-da-noite impregnado na minha fronha. A região da sua boca sempre me foi a favorita. Não me entenda mal, pois sempre te achei lindo (por mais que você nunca acreditasse), mas sua boca é divina. Seu beijo, sua chupada, seu sorriso, sua barba macia e meio ruiva. Das poucas vezes que eu despertava antes de você, preferia te acordar passando a mão no seu rosto pra gente fazer amor. No dia em que tudo acabou, e eu sabia que ia acabar porque eu precisava acabar, pensei em te acordar assim. Pensei em passar a mão na sua barba mais uma última vez. Pode ser por conta do emaranhado interno de confusão que meu coração estava, ou por simples escolha do acaso, mas não passei a mão. Você estava tão longe, dormindo do meu lado. Meu braço não te alcançava, meu coração batia devagarzinho e pesado, minhas lágrimas não saíam. Minha cama está quente de novo, não sei como anda a sua. Espero que esteja apenas diferente do que era quando eu me juntava ao teu corpo. A minha tá diferente, não sei se pra melhor ou pior. Ele não fuma.

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4 responses

28 08 2011
Bodão

poutz, amei!

28 08 2011
hqsubversiva

Brigado, Brodo!

31 08 2011
Natiii

Demaaais!

31 08 2011
hqsubversiva

=)

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