As 10 mais da década lá fora

15 09 2011

Saiu uma lista interessante do Newsarama sobre as 10 HQs mais vendidas dos anos 2000 lá nos EUA. Está repleta de grandes acontecimentos – morte do Capitão América, Crise Infinita e, no topo, Obama e Homem-Aranha. Mais do que perceber quais foram os top sales, é importantíssimo percebermos quão simbólica é a lista no seguinte sentido: o mainstream está completamente engessado e repetitivo. Desde os anos 80, principalmente com Crise nas Infinitas terras, as grandes editoras perceberam que matar personagens icônicos (para depois ressuscitá-los) e organizar “sagas-grandiosas-que-estão-interligadas-com-tudo-aquilo-que-você-já-leu-mas-se-não-leu-tem-que-ler-pra-entender” vende, e bastante. Grandes conglomerados de todo tipo de cultura caem nestas fórmulas de sucesso, e as exaurem – os blockbusters hollywoodianos são exemplos cabais disso. Mas, pra não desvirtuar a discussão, nos atemos aos quadrinhos: já passou da hora de coisas novas surgirem. Recentemente, Alan Moore constatou que a HQ mainstream definha cada vez mais rápido e, conforme os acontecimentos se sucedem, as palavras do bruxão britânico ganham cada vez mais força. E veja o que está acontecendo lá fora: reformularam a DC (Marvelizaram tudo, em miúdos), mais uma porrada de sagas gigantescas estão previstas com os grandes personagens, e o espaço pra novos personagens e conceitos está cada vez menor. Há sopros de criatividade aqui e acolá, mas mesmo obras inovadoras estão caindo no marasmo – vide Walking Dead, que não tem mais o fôlego que apresentou outrora. Está na hora de chegar alguém pra realmente balançar a indústria, porque o panorama daqui pra frente só fica pior.


Ações

Information

6 responses

15 09 2011
Luiz Alexandre

Cara, falou tudo. Eu, particularmente, nem consigo me animar em acompanhar qualquer desses personagens, mesmo aqueles que gosto, como o Batman ou o Homem Aranha. The Walking Dead está mesmo mais arrastado que o caminhar de seus zumbis. Acho que é por isso que uma obra como “Scott Pilgrim” fez tanto sucesso, uma história ágil, contada de uma maneira “refrescante” e sem pretender ser a coisa mais fantástica desde A Crise nas Infinitas Terras.

15 09 2011
João do caminhão

Concordo em número, gênero e grau. Uma coisa que me irrita com esses quadrinhos ocidentais de super-heroi é que eles nunca tem um fim, não existe passagem de tempo nenhuma e a coisa toda vem se arrastando durante décadas, acredito que todas as possibilidades para esse tipo de personagens já foram exploradas, a grande maioria deles já morreu (alguns mais de uma vez), voltou a vida, casou, separou, deu lugar a um substituto, voltou de novo e por aí segue.

Acredito que não só os quadrinhos, mas toda a indústria do entretenimento tá se acomodando demais e indo apenas pelo caminho “seguro” do que é lucrativo. Quantos games hoje em dia tem um mecânica realmente inovadora, sem se focar em combates com aperto frenéticos de botões a lá God Of War? E o cinema que resume tudo a reboot, remake e continuações? E a literatura que anda na onda de vampiro, anjo e amores impossíveis, ou então aventuras infanto juvenis com crianças ultra-especiais?
E quanto a música eu prefiro nem comentar….

É meu amigo acho que o fim dos tempos realmente tá chegando.

16 09 2011
hqsubversiva

É, pessoal, estamos trilhando caminhos perigosos, como diriam por aí. Tenho um pouco de medo de assumir esta coisa que “atualmente não há nada que quebre esta corrente de reciclagens sem fim”, porque nunca conseguimos ver a indústria como um todo. Acho meio perigoso dizer que tudo anda ruim, porque não é necessariamente verdade – não foi isso que vocês disseram, eu sei, mas é sempre bom ressaltar. De qualquer modo, estamos passando por uma fase sombria mesmo – principalmente em relação a criatividade e inovação.

16 09 2011
Rogério Dalbem

Pois é, eu concordo. Eu não ando vendo nada de muito interessante nas revistas de super-heróis ultimamente. Mas reinventar a roda não é uma coisa muito fácil de se fazer, né. O conceito de super-heróis que a gente conhece está aí há mais de 70 anos. O que é que tem de novidade pra se fazer? Eu acho que seria legal se aparecesse um Alan Moore ou um Frank Miller dessa nova geração, saca? Para atualizar esse conceito ou, pelo menos, mostrar uma abordagem nova. Mas tem que ser um cara foda pra fazer isso.

16 09 2011
hqsubversiva

Nem acho que sejam os heróis que precisem de uma “revolução”, mas que surjam séries e obras interessantes, que sejam estimulantes novamente para nós, fãs de quadrinhos.

16 09 2011
Rogério Dalbem

É verdade. Po, a Panini tá publicando umas séries bacanas da Vertigo. O “100 balas” é um. A periodicicadade é que tá foda: um mês sim e dois não, e por aí vai.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s




%d bloggers like this: