(O) Possui agora

29 11 2011

O tempo é uma coisa meio maluca. Tem gente que diz que é completamente volátil e subjetivo, tem gentes que dizem que ele é objetivo e impiedoso. Te sufoca, te esmaga, te destrói. Parece que um dia dura um ano, ou que uma hora dura menos de trinta segundos. O tempo não anda, não se move, eu não me mexo. Você corre e corre. Corre sem se mover. Parecemos estátuas, o tempo também é imóvel. Mas ele pressiona meu peito contra a parede e eu sinto o sangue se esvaindo. Dói, é mais forte que qualquer coisa. Eu te vejo de longe, me resta esta visão. Você se vai. Apago. Agora você está mais perto. Luto, saio deste sufoco que o tempo me impõe. Ele não se mexe. Eu escapo e me aproximo. Você tem que olhar pros lados. Desvia teu olho, mas tua alma sabe que estou aqui, me encara, me espreme. Não sinto dor, você tampouco. Tudo machuca, não é? O tempo tá ficando mais fraco, eu chego mais perto. Não desvia teu olhar, meu amor, me fita. Me possui, me domina, me faz teu. Somos nossos. “O tempo vai ganhar força de novo e vai machucar mais e mais”, você sussurra, um pouco trêmula, no meu ouvido. “Pouco importa”. Te possuo, te faço minha, você sempre será minha. Meu espírito se quebranta todo, o teu junta os cacos e me dá forma de novo. Me molda. Me esquenta. Me beija. Eu te beijo você me beija tem que ser tudo perfeito e sincronizado. Mas a falta de ritmo te encanta, intriga. O compasso é outro. “Me sinto perdida, desorientada”. Tua perna bambeia, eu te seguro. Cai no meu peito, cai. Isso é forte demais, meu amor, machuca e satisfaz e dói. “Tudo dói com ou sem amor”, respondo. “Isto vale a dor”. Parecia que eu precisava dizer isso, mas não. Você sabe, eu sei, a quem estamos tentando enganar? A todos. A nós mesmos. Tu não me engana. Neste segundo, neste minuto, nesta hora. É isso: nós somos o agora. Dois corpos não se fundem, mas duas forças podem se tornar uma só. Somos mais do que isso, somos o agora. Não pensa no amanhã, é o hoje que importa. Vem. Depois a gente se preocupa com o tempo que vai machucar. Hoje ele não é nada. Eu estou aqui.


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2 responses

29 11 2011
Sergio

Pura potência, brother!

30 11 2011
hqsubversiva

Obrigado, irmão!

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