Mexican Western Shootout

30 12 2011

Só mais um trago. Se eu me demorar pra acabar com esse gole quem sabe o tempo para um pouco, pensa. Tem dois que não tiraram os olhos desde que entraram no bar. O trompete melancólico da música de fundo dá o tom para esta situação inevitável. Tristonho e lamurioso, o som lhe penetra os ouvidos, como se anunciasse a tragédia (já) anunciada. Não acredito que me surgem estes dois filhos da puta justo agora. Justo agora, exatamente neste minuto, não quero fazer isso, não acredito que vou ter que fazer isso. Olha pro copo embaçado, desliza suavemente a mão direita pra baixo do casaco. Tenho que ser rápido. Pelo espelho meio sujo do bar percebe que a hora da estrela se aproxima. A tensão corta o ar, o barman enxuga os copos enquanto os dois mal encarados vão lentamente se preparando pro banho de sangue que se anuncia. Diabos, os pentes não estão cheios, não posso errar, sussurra. Ainda não posso morrer, sabe, diz ao barman. Por que você iria morrer, chega de uísque pra você por hoje, chapa, responde. O bourbon lhe desce queimando as entranhas, saca suas 9mm e já se vira alvejando a mesa onde a dupla estava sentada. Acerta o rosto de um dos capangas, que tomba enquanto o sangue lhe escorre as faces. O outro se joga no chão e responde com dois tirombaços de cartucheira, destruindo um par de cadeiras que estavam à frente. O barman se joga no chão, uns pares de clientes começam a gritaria. Tanto faz, os dois estão preocupados apenas um com o outro agora. Uma intensa troca de tiros toma lugar, revirando e destruindo o bar. Por detrás do poste, vislumbra por um fiapo do espelho – agora quebrado – o grandalhão se movendo. Sai disparando freneticamente suas pistolas, acerta o calcanhar do atirador. Com o tiro, os tendões se rompem e o homem urra. Sabe que tem pouco tempo e, em poucos segundos se aproxima, recheando o grandalhão de balas. Descarrega os pentes enquanto os trompetes do rádio dão um tom grandioso à matança que ali tomou lugar. Guarda suas pistolas, olha pro seu arredor destruído e sai pela porta da frente. A balada se encerra, os trompetes se emudecem. O sangue escorre.


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