Vou abrir um buraco na porra do teu peito

1 01 2012

A seis-balas era uma extensão de seu punho direito; atirava bem com a canhota, mas era certeiro feito o capeta com a destra. Sua Colt era riscada pelos anos de uso, fria e tinha cheiro azedo de pólvora. Um revólver imponente, que causava estragos por onde se esgueirava. Tinha vida própria, uníssone ao temperamento de seu dono. Mas desta vez sabiam que algo estava para mudar. A atmosfera fica pesada antes dos zumbidos cortantes dos projéteis, porém havia um toque a mais. O Colt iria cusparar quatro vezes quase que por instinto – pelo menos em duas delas apontado para o meio dos cornos de algum dos muchachos. Aqueles três não armaram encrenca só por farra: era um aviso. Aviso que mais sangue ia ser derramado, outros não iriam mais pisar naquela terra dura e pesada e temperada com sangue e escalpos. O silêncio na pradaria durava pouco. Parecia uma eternidade. A calmaria antes da tormenta, dizem nas terras do além mar.
Nunca vi nenhum de vocês.
A encrenca não é conosco.
Já aprontei por demais nestas bandas. Fodi com a vida de muito borracho e coño por aí. Por quanto?
O suficiente pra te degolar feito uma galinha granjeira, hombre.
Quem?
Pancho, disse o do meio.
Pancho. Hora ou outra o que tu faz vem te cobrar. Nada é de graça nesta terra. Era chegada a hora de sujar mais as mãos. Não se trata de consertar os erros do passado, não senhor. É o prazer de sentir a carne corroída por chumbo. Este momento ia chegar, ansiava por isso. Sentiu o tambor do Colt esquentar, o sangue fervia, queria ver tripas miolos e corpos caindo.
Os três não piscavam. O gordo barrigudo tremulava um pouco, o preto sequer respirava, o outro preto daria mais trabalho.
Num relance, sacou. As balas abriram seus buracos nos bandoleiros e um rombo do tamanho de um caqui no peito do gordo falastrão. O estalar do cão de seu revólver, o tilintar dos ossos se partindo. Enquanto guardava seu Colt no coldre, uma revoada de abutres pousava e começava o banquete, profanando aquela carne suja. Em terra de sangue, os famintos sabem onde vai ter comida fresca. Subiu no cavalo, olhou pro horizonte e pensou naquele nome. Um nome dos infernos. Covas vão ser recheadas mais uma vez. O coração bate forte, feito locomotiva. Uma sombra lhe pairava as ideias, a boca seca. Ia buscar a alma que lhe era devida.


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