E o Sangue Semeou a Terra (1952)

31 01 2012

O Velho Oeste americano era repleto de regiões inexploradas e, além disso, de famílias cheias de esperanças e sonhos. As grandes migrações renderam muitos filmes a Hollywood, na época de ouro dos westerns. E o Sangue Semeou a Terra, de 1952, dirigido por Anthony Mann, lida com isso, mas dialoga muito mais com a ganância humana. Glyn McLyntock [James Stewart] lidera um extenso grupo de peregrinos oeste adentro. Após alguns percalços pelo caminho, o grupo consegue uma extensa área para finalmente fazer seu sonho virar realidade: tornarem-se fazendeiros, rancheiros, começarem uma vida inteiramente nova. No entanto, no meio do caminho, o grupo passa pela cidade de Portland, onde conhecem alguns homens e compram mantimentos para sobreviver inverno adentro.

Porém, como já se espera, nem tudo são flores na trajetória destes sofridos peregrinos. Em uma área próxima do local escolhido para começarem suas novas vidas, se descobre ouro. Com isso, a ganância corrompe os homens de Portland, que colocam “sob júdice” os mantimentos comprados – afinal, mineiros com pedras preciosas podem pagar muito mais por comida, cavalos, gado, etc. Emerson Cole [Arthur Kennedy], cowboy cuja vida fora salva por McLyntock no início do filme – ele seria enforcado por ter roubado cavalos – e ajuda os peregrinos em sua viagem até Portland, se torna uma espécie de capanga na cidade. Depois de alguns entreveros, McLyntock consegue resgatar os suprimentos que foram comprados e deve, juntamente com outros homens não tão confiáveis, trazê-los de volta ao acampamento.

A motivação do personagem de Stewart é a típica do protagonista do western clássico: fazer o bem, ajudar as pessoas, ser bom. Há, em certo ponto, um diálogo no qual o capitão do navio que ajuda os peregrinos a pegarem seus suprimentos diz: “Foi uma honra poder ajudá-los. É uma honra poder fazer o bem para pessoas de bem”. E, vejam, James é o único personagem que durante todo o filme se mantém “íntegro”. E, além disso, a ganância vai lentamente cercando os peregrinos: seja pelo personagem de Kennedy, seja pela cidade de Portland, seja pelos mineiros – que querem roubar a todo custo os suprimentos comprados – ou até pela existência de uma mina de ouro nas proximidades.

Além disso, há também uma outra questão que cerca “E o Sangue…”: o homem que pode se redimir de seu passado. Mann mostra que isto é possível, mas nem todos são aptos a esta redenção. Desta forma, o filme se alinhava perfeitamente aos maniqueísmos do western americano, onde os bons e os maus são tão bem delineados. Neste caso, vale ressaltar, que isto não o faz um filme ruim, muito pelo contrário. A trilha grandiosa, os bons tiroteios e personagens bem desenvolvidos o tornam, com certeza, um clássico. Genuinamente americano, claro.

PS: Pra quem quiser conferir o filme, ele está disponibilizado inteiro online no Youtube; é só clicar aqui para assistir ao filme!

“E o Sangue Semeou a Terra” – Muito Bom


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