“Notas Sobre Gaza” vai virar filme: isso é bom ou ruim?

3 02 2012

Pois é, meus caros. Surgiu, nesta semana, a notícia que o jornalista/quadrinista malto-americano Joe Sacco terá sua obra mais recente, Notas Sobre Gaza, adaptada em um longa animado. O diretor será o canadense Denis Villeneuve, que inclusive afirmou que teve que convencer Sacco a aceitar esta adaptação, mostrando que seria a equipe correta pra tal. Agora a grande pergunta é: isto é uma boa notícia? Bem, não que esteja me gabando, mas faz um tempo que acompanho o trabalho de Joe, inclusive por meio da pesquisa acadêmica. Fico extremamente reticente com esta notícia, amigos, devo confessar. Não por desconfiar da qualidade dos envolvidos – até porque não os conheço. A força dos quadrinhos de Sacco reside não apenas em suas práticas jornalísticas, visões alternativas às dos grandes meios, trabalho de apuração e pesquisa documental quase que obsessivos: reside também no formato.

Veja, suas obras são, de certa forma, cinematográficas, claro. Mas, muito mais do que isso, são quadrinhos! A força de imagens brutas, feições caricaturescas e cenários desenhados de maneira meticulosa é muito grande. E boa parcela desta força vem deste modo “estático”, no sentido que a leitura da HQ está à revelia do leitor, que pode se manter preso em páginas, analisá-las com afinco, contemplá-las.

Por outro lado, claro, não sou hipócrita a ponto de não elencar aspectos bons que podem surgir por conta da adaptação. Caso seja feita com habilidade – até porque imagino que Joe deva acompanhar o desenvolvimento de perto -, é muito provável que muito mais pessoas conheçam estes tenebrosos massacres em Khan Younis e Rafah, no ano de 1956. Além disso, há sempre o fato de se instigar seu espectador a procurar a obra original, o que é ainda mais legal e interessante neste caso. De qualquer modo, nos resta torcer, e muito! Porque o material original, bem, é primoroso.


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3 02 2012
Daniel

É difícil afirmar se será boa ou ruim, como você disse. Vai depender de como o material original será transposto para a tela (ainda irei lê-los).

O que é certo é que o filme seguirá na esteira de Persépolis e Valsa com Bashir: relatos pessoais/biográficos sobre a situação política no Oriente Médio em forma de HQ e animação.

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