I’m so glad that you came here

4 02 2012

O sol se põe gradativamente ao horizonte. Mesmo prestes a morrer, ainda tenho que deixar meus olhos semicerrados para fitá-lo. Uma brisa lufa por nossos corpos, agita um pouco seus longos cabelos castanhos. Estamos sentados em rochas, devem ser antiqüíssimas, muitos outros ali também se sentaram, tiveram, talvez, a mesma visão que partilhamos neste momento. Mas, por mais que as condições tenham sido as mesmas, aquele momento é único, é nosso. É um conjunto de fatos que se une e se mantém congelado e imutável no tempo-espaço. Você chega mais perto de mim, eu te abraço. Você está com sua máquina recém-comprada, guardando em imagens aqueles momentos que não podem ser guardados. Eu peço a câmera emprestada, você a passa pra mim. Talvez seu olhar seja mais apurado que o meu, você tinha tirado tantas fotos e eu só fico olhando o ambiente pelo visor da máquina. Você me pergunta se eu não vou tirar nenhuma foto, eu peço pra você esperar só um pouquinho. Então, um pouco à nordeste eu encontro o ponto perfeito. Miro, capturo. Ficou bonita a foto, né? Sim, ficou linda, você me responde. Você me beija, e depois eu te beijo os ombros. Acendo um cigarro, nos levantamos e vamos embora. Mas meu olhar se esvai do meu corpo, e fica estático ali, naquele ponto específico que fotografei. Sinto o vento, ouço as vozes, mas não tiro meus olhos daquela pontinha de céu que encontra a terra e engolfinha o Sol. Isto tudo é um sonho, claro. Um dos bons.


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