Eu já não sei se sei de nada ou quase nada

21 05 2012

Não há tratado final sobre ela. Tampouco pode ser compreendida em sua totalidade. Vivemos como meros passageiros de um trem com janelas diminutas, que sentem o vento entrar pelas frestas mas que pouco conseguem observar o lado de fora. Lado de fora que, no fim, está dentro de todos nós. Lá no fundo. Há momentos, sim. Momentos que compõem um todo fragmentado, misterioso, fugaz. Que se esvai de nossas mãos e almas a cada instante que passa. Estamos nesta cadeia sem fuga, nos ocupamos com trabalhos medíocres, causas impossíveis, amores intermitentes e paisagens incompletas e vazias e acachapantes. Nos entorpecemos com a rotina nossa de cada dia. Toca o sino, bate o cartão, vai pra casa. A casa que é minha, mas que já foi tua. Que ainda vai ser nossa, que será deles. Eles que são eu e você. “Eu já não sei se sei de tudo ou quase tudo, eu só sei de mim, de nós, de todo mundo”. E, sem saber, vamos embora. Deixamos esta carcaça de carne, osso e algo mais. Muito mais. O epitáfio marca um pedaço de pedra. Não resume nada, apenas engana. E a vida segue. Nunca para, é um traço contínuo. Toca o sino, olho pro tudo e pro nada, chegamos ao nosso destino. Destino do qual nunca saímos. Destino que sou eu, que é você. O sino badala mais uma vez, a porta se abre. A claridade finalmente entra, a paisagem se desvela. O que há de enigmático se resolve. Nos vemos deste lado, algum dia, quem sabe.


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