Day of the Outlaw (1959)

10 07 2012

Day of the Outlaw (em português o título ficou “Quadrilha Maldita”), de 1959, de André De Toth, é um dos westerns mais sombrios e geniais que já pude ver. O filme mostra a história de um pequeno povoado americano, isolado por montanhas e trilhas cobertas de neve, que é invadido e mantido refém por uma quadrilha de bandidos que acabara de realizar um grande roubo. Comandados pelo ex-capitão do exército Jack Bruhn (Burl Ives, magistral), os bandidos devem controlar o pequeno povoado, que é liderado pelo forasteiro Blaise Starett (Robert Ryan, em uma de suas atuações mais poderosas).

O filme como um todo gira em torno de eixos fortemente sombrios. André De Toth conseguiu imprimir à obra um constante e aterrador clima de tensão: os moradores têm medo do que os bandidos podem fazer; os bandidos querem beber e estuprar as mulheres, mas não o podem porque estão sóbrios e sob o comando de Bruhn. Em clara rota de colisão, Bruhn e Blaise, cada um ao seu próprio modo, precisa superar a tensão que inunda e amedronta os envolvidos para que não aconteça uma grande tragédia. Além disso, outro sentimento que marca o filme é a humilhação. Os cidadãos, que se vêem humilhados ao cederem suas mulheres para um vergonhoso baile; as mulheres, à mercê de bandidos sedentos por sexo e uísque, e tendo que lidar com suas próprias tragédias pessoais; os bandidos, que se vêem às voltas de um moribundo e ao mesmo tempo amedrontador líder.

Podemos citar ainda os próprios personagens interpretados por Ryan e Ives, símbolos claros da decadência da imagem do cowboy nos faroestes americanos a partir de Rastros de Ódio, de John Ford. Ambos fogem ao esteriótipo do mocinho e vilão, complexificando as relações da trama. Além disso, ainda há de se destacar o papel do ambiente para o filme, pois os planos em preto e branco tornam-se ainda mais brutos e ásperos por conta da gélida e isolada paisagem. Ao fim, De Toth dá uma leve amenizada no tom da obra, mas não prejudica o cenário como um todo, nos brindando com uma inesquecível cena de cavalgada em uma manhã nevada, onde a câmera ascende e nos ofusca o olhar com tanto branco, com tanto vazio. Day of the Outlaw é, com certeza, dos melhores faroestes americanos. Uma joia escondida entre outras tantas produzidas na mesma época.

Day of the Outlaw (Quadrilha Maldita) – Excelente  

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