O Exorcista (1973)

6 08 2012

Por Leopoldo Tauffenbach, do Cine Demência

Tome qualquer lista – qualquer uma mesmo – de melhores filmes feita depois de 1974. Salvo casos restritivos, como uma lista dos melhores dramas de época ou os melhores romances, é bem provável que você encontre O Exorcista de William Friedkin desfilando entre as colocações. Eu mesmo, antes de ter idade ou competência para acompanhar listas, cresci sob os brados de adultos sobre a suposta excelência do filme. Como apreciador de filmes de horror eu teria – assim que tivesse idade para tal – que assistir a esse filme com o máximo de urgência.

E foi no início da minha adolescência que minha casa recebeu seu primeiro videocassete. Dos inúmeros filmes que eu alugaria com frequência religiosa nas locadoras do bairro, O Exorcista seria, sem dúvida, um dos primeiros. E assim foi. Preparei-me física e espiritualmente para finalmente conferir o filme que apavorara tantos adultos ao meu redor. Mas antes de comentar a experiência, devo deixar claro que O Exorcista não seria meu primeiro filme de terror. Ao contrário, eu já tinha passado por muitos outros clássicos, como Poltergeist, A Hora do Pesadelo, Sexta-Feira 13, A Morte do Demônio, sem contar as inúmeras produções da Hammer e aqueles genéricos americanos que hoje são considerados cults. E por isso mesmo que O Exorcista pareceu na época uma grande decepção para quem esperava o filme de terror supremo.

Mesmo decepcionado, nunca desisti do filme, afinal, uma obra tão falada e tão elogiada não poderia ser um fiasco completo como me pareceu então. Seriam necessárias mais algumas revisões para reconhecer que o mundo não estava enganado. Eu era quem estava despreparado para enxergar toda a maestria e excelência do filme de Friedkin. Não convém aqui detalhar cada uma das vezes que assisti ao filme, mas vale dizer que a cada vez o filme ganhava em profundidade e… horror.

Para quem desconhece a trama, tudo começa com um padre realizando uma escavação arqueológica no Iraque. Lá, estranhos eventos parecem cercar o sítio arqueológico e sua própria pessoa. Já nos EUA, uma atriz tem sua vida transtornada pela estranha mudança de comportamento de sua filha Regan, ao mesmo tempo em que um padre da paróquia local começa a questionar sua fé e a própria existência de Deus. Essas três histórias irão se cruzar diante da possibilidade de Regan ser vítima de uma autêntica possessão demoníaca.

De um filme intitulado O Exorcista, pode ser frustrante para alguns – como foi para mim – descobrir que a cena do exorcismo está somente no final do filme, em seus últimos 30 minutos. Mas, no final, não é disso que o filme trata. Se fosse não seria reconhecido até hoje como um dos maiores filmes de terror da história. O filme trata de aspectos muito mais sinistros, como a perda da esperança e a possibilidade de que talvez não exista um Deus. Em um dos momentos mais tensos do filme, no intervalo da sessão de exorcismo, o padre Karras indaga o padre Merrin (interpretado com a maestria habitual de Max Von Sydow), como Deus permite que uma criança possa ser possuída pelo demônio trazendo sofrimento a ela mesma e aos que a rodeiam. E não há quem não fique pensando nisso depois de lançada a questão. Pior que a possibilidade de Deus não existir, seria um Deus que simplesmente não se importa mais com os homens, deixando-os à mercê de todo mal. De qualquer maneira não estamos em vantagem alguma.

Mas o filme não termina de maneira tão trágica. O bem vence o mal, ao menos por enquanto, e nós mortais podemos desfrutar de um pouco de esperança. E para aqueles que esperam um filme à base de sustos e efeitos especiais (o filme possui efeitos especiais excelentes, mas que estão longe de ser a atração principal), fujam de O Exorcista. Este é um filme que fala dos horrores que minam nossas crenças e reduzem nossas esperanças em algo melhor. E não existem monstros de animatronics ou de CG mais terríveis que esses.

Vale lembrar que a versão em circulação em DVD traz cenas adicionais que foram deixadas de fora da versão original. Tendo visto ambas, reconheço que a nova versão pouco acrescenta ao que já existia na versão original. Mas também não chega a atrapalhar, o que já é um ótimo negócio.

“O Exorcista” – Excelente

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