Moonrise Kingdom (2012)

15 10 2012

É inegável que vivemos, esteticamente, uma era onde o hype e o vintage têm falado mais alto. Com instagram’s, filtros sépia e afins, muitos gostam de mascarar a realidade de forma vazia, tal como fora feito em épocas de outrora de outras formas. Sem dúvidas, Wes Anderson, pelo menos no que tange o cinema, é dos “responsáveis” pela ascensão dessa estética, influenciando boa parte do cinema indie contemporâneo; porém, é crucial lembrarmos que nem sempre o que parece hype é ruim. Anderson não está no patamar que se encontra à toa: seu cinema inventivo justifica sua aparência, principalmente pela sensibilidade com a qual os temas escolhidos são abordados. Moonrise Kingdom, de 2012, é a prova que o diretor continua afiado, e ainda dá fôlego ao seu jeito de narrar uma história. Muitos poderão apenas ver o cartaz e o trailer do filme e já torcer seus narizes: uma pena. Pena porque o filme é incrivelmente belo e sutil, extremamente eficiente em contar uma história de deslocamento, de insurgência contra nossos problemas cotidianos, de resistência a um mundo que parece cada vez mais não ter lugar ao sol para todos nós. O elenco, como de costume, está muito bem – destaque para o casal de protagonistas mirins, Kara Hayward e Jared Gilman, além de Edward Norton e Bruce Willis -, a trilha sonora corrobora com todo o ambiente montado pelo diretor – a introdução ao som de Benjamin Britten é lindíssima -, e o roteiro transita entre uma ampla gama de temas com o tom exato, sabendo quando levar-se a sério e quando fazer chacota de si mesmo. Em suma: não deixe se iludir pela roupagem de Moonrise Kingdom, porque atrás dos filtros coloridos, contrastes e roupas estranhas há sustância… e muita.

Moonrise Kingdom – Excelente


Ações

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2 responses

17 10 2012
Marcelo

SPOILER – SPOILER
Gostei também, mas faço uma observação, achei que o filme caminhava num ritmo praticamente perfeito e afinado até o momento em que os protagonistas são “encontrados” pelos adultos e retirados da barraca. A partir daquele momento, muito do encantamento e sintonia se perdem para darem espaços a exageros e a alguns enfeites visuais desnecessários. Por mim eles deveriam permancer os dois naquela ilha até o final do filme, seria uma espécie de “Lagoa Azul” do século.

17 10 2012
hqsubversiva

Não havia pensado nisso! Seria uma direção a se seguir. Mesmo assim gostei bastante do que se segue, principalmente o clímax do filme..

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