Pra não perder o hábito: filmes vistos e/ou revistos nos últimos dias/ semanas [II]

25 04 2013

Pra vocês não ficarem com uma impressão equivocada deste que vos escreve, o HQ Sub respira sim! Temos a caminho um novo (e mais amplo) especial, com a filmografia de ninguém menos que Hayao Miyazaki destrinchada, e tenho visto muitos e muitos filmes nos últimos tempos. Com o meu mestrado ficando cada vez mais exigente (no que tange tempo e comprometimento), não tenho tido o devido momento pra sentar e escrever sobre, o que é um erro de minha parte. Pra tentar remediar, vou publicar nos próximos dias alguns posts mais resumidos sobre alguns dos filmes que vi e que me parecem dignos de notas e/ou críticas. Então é isso, fiquem de olho que haverá uma tonelada de indicações por aqui, meus caros!

The Last Stand (2013)

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Para nossa felicidade, a primeira empreitada do excelente Kim Jee-woon (I Saw the Devil, A Bittersweet Life e The Good, The Bad and The Weird) em solo americano é um divertidíssimo filme de ação à moda antiga. Com o retorno em grande estilo de Arnold Schwarzenegger ao cinema de ação, o filme conta o embate entre um super-ultra-mega fugitivo do FBI, que dirige um carro modificado e que corre até 300km/h, e a força policial de uma cidadezinha minúscula no interior americano, no caminho pro México. Quem é o xerife? Sim, “The Governator”, com um elenco coadjuvante ao melhor estilo cinemão: o ajudante hispânico pseudo-engraçado, o tira desastrado, a policial medrosa e Rodrigo Santoro como o policial beberrão-bom-de-tiro (o vilão coadjuvante é ninguém menos que o sempre presente [e barato] Peter Stormare). Jee-woon arquiteta bem a trama, com ritmo claramente inspirado no gênero western: a ameaça é mostrada, o povoado descobre que vem confusão a caminho, tiros, clímax no centro da cidade. Simultâneo ao que se espera do cinema de ação descompromissado, o diretor consegue criar ótimas sequências de ação, com uma câmera inteligente e dinâmica – além de boas cenas de humor, dando um tom mais leve ao filme. Se Kim Jee-woon está pensando em conquistar o público americano pra depois fazer seus projetos mais autorais com os dólares hollywoodianos, este é um bom primeiro passo.

The Last Stand – Muito Bom

Evil Dead (1981)

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Com o remake tão comentado e aguardado do filme que fez Sam Raimi sair do anonimato em voga, eu finalmente vi a obra original de 1981, com um novato Bruce Campbell personificando o imortal Ash diante de demônios, conjúrios, sangue, decepamentos e muitos gritos. Evil Dead é, de fato, inovador: Raimi conseguiu unir de uma maneira única o asco e gore do cinema de terror com situações tragicômicas (o clichê de um grupo de jovens que vai passar o fim de semana numa cabana enfurnada no meio do nada); além disso, o diretor já dava mostras de inventividade com sua câmera hiperativa, com closes, inclinações, fast-forwards e movimentos bruscos, o que auxilia a imersão do espectador nas cenas mais tensas do longa. Claro que mais de 30 anos depois do lançamento, os efeitos especiais apenas nos parecem toscos, ridículos, mas isso não atrapalha o filme: o que poderia envelhecer mal se manteve único, destoante do resto do terror da época. Sem contar, claro, que o filme ainda mostra que sabe criar tensões e sustos, com a imprevisibilidade da trama. Independentemente de como seja este remake, é obrigatório voltarmos ao original.

Evil Dead – Muito Bom

Grandmasters (2013)

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Quando anunciado que Wong Kar-Wai voltaria ao cinema de artes marciais – em parceria com Yuen Woo-Ping, um dos mais incríveis e respeitados coreógrafos de luta/ dublês do gênero -, o furor foi geral: os detratores já bocejavam antes de qualquer trailer, enquanto os fãs aguardavam ansiosamente qualquer cena do filme. Algum tempo depois, Grandmasters finalmente foi lançado (o longa ainda vai estrear aqui no Brasil) e, como sou da turma que ama Cinzas do Passado, não me decepcionei: achei o filme estupendo. O ritmo da narrativa é menos acelerado, contemplativo e por muitas vezes silencioso – mesmo em algumas lutas. Isso mostra que o longa demanda de seu espectador uma participação ativa, pra que cada detalhe, cada gota que cai, homem que é derrotado, movimento que é realizado pelos personagens mostrados seja meticulosamente observado.  A trama baseia-se na história de Yip Man, mestre de Bruce Lee e figura central para o Kung Fu, desde sua escolha como lutador proeminente, apto a representar as artes marciais do Sul da China até o fim de sua vida, passando pela Segunda Guerra Mundial, aspectos de sua vida pessoal e sua devoção para com o Kung Fu; o elenco está afiadíssimo, com destaque para Tony Leung, que continua demonstrando ser um dos melhores de sua geração, e Ziyi Yang (O Tigre e o Dragão, O Clã das Adagas Voadoras), que mostra uma química ímpar com o protagonista. O filme assemelha-se a Cinzas do Passado, Herói e outros filmes de artes marciais que prezam pela beleza da luta, claramente inspirados nas doutrinas orientais – com a preferência pelo vislumbre, pela contemplação, pela harmonia e pelo entendimento subjetivo. Em suma: se você procura porrada desenfreada, fuja; se quer ver a beleza e a poesia na luta, não deixe de assistir.

Grandmasters – Excelente

Killing Them Softly (2012)

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O diretor Andrew Dominik começou a ganhar notoriedade após O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, faroeste existencial diretamente influenciado por Terrence Malick (vale lembrar que Dominik trabalhou como diretor de segunda unidade com Malick na sua retomada no cinema, de 98 em diante). Com Killing Them Softly (O Homem da Máfia, no Brasil), o diretor retoma a parceria com Brad Pitt para fazer um filme policial e político, engajado e elucidativo sobre como funcionava parte do submundo criminoso norte-americano à época da transição do governo George W. Bush para Barack Obama, período em que se instaurava a crise econômica contemporânea da terra do tio Sam. O filme é atravessado por discursos e falas de Bush, Obama e outras figuras políticas proeminentes do período retratado, enquanto mostra como os mais distintos setores sócio-econômicos americanos são afetados pela crise. Além disso, Dominik mais uma vez mostra domínio técnico e um olhar preciso para criar sequências incríveis, como o assalto à casa de apostas ilegal, o espancamento na chuva e até mesmo uma lisérgica cena em que um dos personagens usa heroína, visualmente vistosas e com enquadramentos e perspectivas inventivas. Este filme é, sem dúvidas, mais uma prova como há uma cena consistente no cinema americano contemporâneo, que dialoga com o cinema independente e o “cinemão” hollywoodiano, atraindo atores de renome para filmes com propostas narrativas diferenciadas, que não se atém a temporalidades lineares, que adensa e complexifica seus personagens e situações retratadas. Obrigatório!

Killing Them Softly – Excelente


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