O ser e o pensar

20 05 2013

china

Pensar é um ato solitário por natureza. Já dizia aquele músico que “não há nada mais sozinho do que ser inteligente”. Talvez estejamos condenados a sermos eternamente imersos nesse fluxo irregular de raciocínios, lógicas, contextos e encadeamentos sobre experiências, sobre fatos, sobre acontecimentos e sobre o infinito. Há o desafio, inerente ao ser humano, de tentar dar vazão a essa corrente de caminhos sem começo nem fim. Escrevemos, pintamos, filmamos, meditamos. Somos os únicos convidados da nossa dança do concreto – tão subjetivo, (ir)real. Dançamos solitários; por vezes tão próximos, noutras distantes de tudo e todos. A sabedoria milenar oriental conseguiu, entretanto, propagar uma alternativa: a harmonia. O silêncio ensurdecedor. A quietude que, no fim, esconde tanto ao mesmo tempo que estanca, para cada um de nós, a inquietude de nossas mentes. Dizem que um texto diz muito mais sobre seu autor do que sobre o que ele quer retratar. Respiro fundo, sou eu, falo em silêncio, falo sem parar. Na bela e fugaz evanescência de nós mesmos permanecemos. Escrevo. Tento. É pouco, mal arranha a superfície desse algo tão sem limites que somos nós. Que sou, serei, fui. Que eu fale sobre mim, que talvez você, ao ler, pense sobre você. A solidão não é, definitivamente, aterradora. Não estou sozinho, pois estou acompanhado de eu e outros tantos eu’s. Diferentes, passionais, subjetivos, solitários. Aquiete-se, pense.


Ações

Information

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s




%d bloggers like this: