A Bittersweet Life (2005)

7 09 2013

A contemplação e o devaneio possuem uma beleza única. Nas ideologias e religiões orientais, especificamente asiáticas, há uma eterna busca pelo silêncio, há uma tentativa constante de inscrever-se no mundo à medida que apagam-se os rastros do indivíduo. Os mestres, com suas vidas mais entregues às doutrinas, pregam a ausência da vontade, do ato, da intenção. O aprendiz tenta encontrar sua própria maneira de aderir ao mundo, de entrar em harmonia com o restante sem deixar de lidar com as pessoas, com as relações, com os sentimentos. Numa dança quieta, quase muda, ele se distancia do que é, tenta apenas enxergar e sentir além. Apenas tenta. Sonha, fabula, age. Contra sua própria lógica, contra aqueles que uma vez estiveram ao seu lado, contra tudo e todos. Se supera em prol de algo. Ao fim, percebe a evanescência de tudo o que vivera. Se desgarra de sua imagem, se rende à impossibilidade de agir. Percebe seu limite. Realidade e imaginação se entrelaçam, se confundem. O que é sonho? O que é real?

bamboo forest

“Em uma madrugada de outono, o discípulo acordou chorando. Então, o mestre lhe perguntou, “Você teve um pesadelo?” “Não.” “Então você teve um sonho triste?” “Não,” disse o discípulo. “Eu tive um sonho doce.” “Então porque você está chorando com tanta tristeza?” O discípulo enxugou suas lágrimas e calmamente respondeu, “Porque o sonho que tive nunca poderá se tornar realidade.””

a bittersweet life

A Bittersweet Life” – Excelente








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