Especial William Friedkin começa segunda (6)

4 08 2012

Pessoal, depois de um longo e tenebroso inverno, finalmente teremos mais um Especial aqui no HQSub. Desta vez, no entanto, eu não contribuo com nenhum texto! Uma lista de alto calibre de amigos e também blogueiros escreveu textos especiais sobre um dos grandes nomes do cinema americano: o espetacular William Friedkin. Teremos textos variados, de filmes que não necessariamente são suas principais obras, mas que merecem (e muito) reflexões e debates mais embasados. Então confira a lista abaixo, e não deixe de acompanhar!

Segunda (6) – “O Exorcista”, por Leopoldo Tauffenbach

Terça (7) – “Sorcerer”, por Osvaldo Neto

Quarta (8) – “Parceiros da Noite”, por Daniel Vargas

Quinta (9) – “Viver e Morrer em Los Angeles”, por Ronald Perrone

Sexta (10) – “Caçado”, por Leandro César Caraça

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Preparem-se: Especial Friedkin vem aí!

14 06 2012

Aguardem cinco textos de quilate sobre cinco obras distintas do grande William Friedkin aqui no HQ Subversiva.

E ainda conto um segredo: nenhum dos textos será meu; serão apenas participações especialíssimas. Esperem!





Operação França (1971)

20 05 2013

Pessoal, repasso aqui, na íntegra, a minha contribuição para o Especial William Friedkin do nosso amado Dia da Fúria – aliás, façam o favor de não perder, estamos destrinchando a filmografia completa do gênio!

“Podemos afirmar sem medo que Operação França, de 1971, é o primeiro grande filme de William Friedkin. Sem menosprezar suas obras anteriores, devidamente destrinchadas nos textos anteriores pelos colegas daqui, do Dia da Fúria, o filme vencedor de 5 Oscars em 1972 (Melhor Filme, Diretor, Ator Principal [Gene Hackman, com seu dúbio e impulsivo Detetive Jimmy “Popeye” Doyle], Edição e Roteiro Adaptado) ainda mostra hoje, mais de 40 anos depois de seu lançamento, vigor e força incríveis.

Para quem não sabe, o longa remonta a maior apreensão de heroína em solo americano à época: a dupla de investigadores da divisão de Narcóticos da polícia de NY formada por Jimmy Doyle [Hackman] e Buddy Russo [Roy Scheider, afiado] entra em um longo e tenso jogo de gato-e-rato para desmantelar uma rede de tráfico de drogas e depara-se com a tal da Operação França – um esquema internacional, pelo qual heroína era contrabandeada da Turquia para a França, e dali para os Estados Unidos. O foco, claro, é a parte americana desta investigação que, na vida real, também foi desenvolvida pelas forças policiais francesas.

Operação França 1

Friedkin realiza um vigoroso thriller policial, extremamente metódico e pausado nesta moldagem do complexo esquema de contrabando: o diretor focaliza o ponto de vista das forças da lei diante deste complô internacional, reforçando a cada cena as dificuldades e (inúmeras) tentativas frustradas de Doyle e Russo de conseguir achar os responsáveis pela operação. O elo entre franceses e americanos para este envio de heroína, Alain Charnier [Fernando Rey, também muito bem], se torna o alvo dos detetives e, conforme a exibição se desenrola, o cerco sobre o esquema e seus envolvidos começa a apertar.

Um dos principais destaques do longa é a forma como os detetives americanos são retratados: atribuir uma personalidade dúbia, durona e politicamente incorreta; com agressões, abusos de lei e afins “em nome da Justiça” não era necessariamente inédita à época, mas Friedkin enriquece este tipo de abordagem por meio de uma grande atuação de seus principais atores aliada a um jeito enérgico e potente de dispor os acontecimentos que levaram ao desmantelamento do esquema. Neste sentido, Operação França é exemplar, contendo sequências inesquecíveis – dentre as quais, claro, destacamos a perseguição de Popeye a um suspeito do esquema em plena Nova York: o suspeito, que foge primeiro a pé e, em seguida, embrenha-se no metrô, é seguido pelo detetive em um carro, acelerando em meio ao tráfego intenso, causando acidentes, quase atropelando pedestres inocentes e batendo seu carro nas vigas que dão suporte às linhas do metrô. É interessante notar que esta sequência é simbólica para refletirmos sobre a postura dos policiais no caso: o respeito às leis é completamente deixado de lado em favor da próxima pista, do próximo envolvido, da chance de finalmente dar fim à angústia de não conseguir prender os culpados, o abuso de lei é “justificado”. Independentemente disso, Friedkin não parece, a um primeiro olhar, julgar tais práticas, apenas as mostrando, tal como exageros de poder realizados pelos policiais nesta longa investigação.

Operação França 2

Complementando o ponto acima, também poderíamos pensar no cerco final de Operação França como exemplar da situação: por mais que a mercadoria seja apreendida, o enigma ainda não fora resolvido. Assim, vemos Popeye e Russo visivelmente abalados, tensos e irritadiços – e, por que não, confusos? – diante da fuga de alguns dos suspeitos. A droga foi pega, os culpados fogem: “E o nosso esforço, foi plenamente recompensado? Colocamos nossa sanidade em risco para não conseguir colocar nossas mãos no pescoço de cada um dos verdadeiros responsáveis pelo esquema?”. O fato do filme ser ambíguo e não-conclusivo, dá vazão a esta dúvida, não glorifica os policiais e nem se curva aos modos pelos quais eles conseguiram realizar a gigantesca apreensão. Ou seja, Friedkin consegue realizar um impressionante thriller policial que também questiona a si mesmo, de alguma forma, que não exime os envolvidos de uma caracterização complexa e feroz, dúbia e discutível, que não os leva ao que todos esperam em um caso de polícia – que os verdadeiros culpados sejam presos, julgados, punidos, que haja uma verdade por trás de tudo, e que ela possa ser devidamente entendida, explicada. Resumindo: imperdível.

Operação França – Excelente





Amigos, muito obrigado

10 08 2012

Quem me tem no facebook sabe que já agradeci bastante, mas aqui vem o “obrigado” oficial. Só posso agradecer imensamente aos amigos Leopoldo, Caraça, Ronald, Vargas e Osvaldera pelo tempo dispensado na fabricação dos textos, na paciência durante meus momentos de cobrança pelos textos e pelo apoio dado na divulgação deste especial. Devemos chegar a mais de mil visitantes diferentes ainda hoje, durante todo este Especial Friedkin aqui no HQSub. Pensei nesta semana, em primeiro lugar, como forma de prolongar a filosofia do nosso querido Dia da Fúria para outro endereço; por mais que não tenhamos dissecado toda a carreira de Friedkin, primei por filmes importantes e nem sempre tão reconhecidos de Friedkin. Além disso, também me pareceu muito legal e honroso abrigar textos destes amigos, que nem sempre escrevem regularmente na blogosfera – me parece muito justo e legal fazer com que meus leitores conheçam estas pessoas, seus textos e também seus blogs. Ao fim desta semana, obtive muitas respostas legais na fanpage do HQSub no facebook, e ideias e planos de outros especiais da mesma natureza em outros endereços; surgiram nomes de outros diretores, outros interessados em escrever… enfim, parece que a semente pode dar frutos em breve. Espero que sim, porque todo este trabalho valeu muito a pena. Obrigado a todos, e voltemos à programação normal aqui!

PS: Claro que quando eu conseguir colocar as mãos em Killer Joe, novo do grande Friedkin, escreverei por aqui. Esta cereja do bolo eu guardei pra mim 😉





Caçado (2003)

10 08 2012

Por Leandro César Caraça, do Dia da Fúria

Em Caçado, de 2003, Aaron Hallam (Benicio Del Toro) é uma máquina de matar descontrolada, um militar super-treinado que surta durante uma operação na Guerra da Bósnia e desaparece. Semanas depois, na fronteira dos EUA com o Canadá ele mata dois homens que estavam caçando na floresta. Para capturar Aaron, o FBI pede ajuda a L.T. Bonham (Tommy Lee Jones), aposentado instrutor militar que ensinou a Aaron tudo o que ele sabe. O que se seguirá a partir de então, é um vigoroso jogo de caça e presa entre dois homens preparados para matar. Quantos cadáveres ficarão pelo caminho até Aaron ser capturado ou morto?

Após “Regras do Jogo” (2000), Friedkin volta a trabalhar com Tommy Lee Jones e conduz com precisão e sobriedade um dos mais puros filmes de ação do começo do milênio. Pode-se dizer, erroneamente, que Jones está repetindo o mesmo tipo de papel que se acostumou a fazer depois de “O Fugitivo” (1993) e que tudo não passa de uma cópia de “Rambo – Programado Para Matar”. Ainda que tais comparações sejam pertinentes, “Caçado” tem uma identidade própria, coisa que Friedkin consegue imprimir desde o início. Del Toro  é claramente uma ameaça para todos que se aproximam dele e fica claro que somente sua morte colocará um ponto final nisso. Jones por sua vez, é um homem que se ausentou da sociedade, vivendo isolado numa cabana nas florestas do Canadá. Só aceita a missão porque sabe o quão letal é Aaron. Precisa então matar o melhor aluno que já teve. Em certo momento perto do fim, é revelado que Bonham deixou de manter contato com Aaron, o que pode ter ajudado na descida à loucura deste.

Sem muito traquejo e com capacidades de rastreamento dignas de um animal, Jones é retratado como um cruzamento entre Charles Bronson e Wolverine. Seus embates com Del Toro são o ponto máximo de um filme que não perde tempo com amenidades. Não existe, por exemplo, a obrigatória trama amorosa entre Jones e a agente do FBI interpretada por Connie Nielsen. Sem firulas e repleto de ação, “Caçado” é o melhor filme de Friedkin desde “Viver e Morrer em Los Angeles”.

“Caçado” – Bom








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