5 Ronin – Marvel Comics

15 05 2012

Faz mais de um ano que mostrei aqui no HQSub as capas do projeto 5 Ronin – capas lindíssimas, na conta do ótimo David Aja. Pois bem, pus minhas mãos na minissérie completa agora e, como já esperava, é um trabalho de alto nível. Não esperem algo revolucionário, já aviso de antemão, mas, pra quem gosta de uma boa ideia sendo bem executada, o trabalho agrada (e muito). A trama traz cinco dos grandes personagens da editora – Wolverine, Justiceiro, Deadpool, Psylocke e Hulk – para o Japão feudal, e, de uma forma singular, suas trajetórias se atravessam numa grande história sobre vingança. Os roteiros são de Peter Mulligan, e a arte das histórias é feita por alguns artistas: Tomm Coker, Dalibor Talajic, Laurence Campbell, Goran Parlov e Leandro Fernandez.

Para quem estiver interessado, estas versões dos personagens guardam algumas de suas características clássicas, mas brincam com outras – bom exemplo é Wolverine, ronin (samurai sem senhor, condenado a vagar pelas terras asiáticas em busca de algum novo significado para sua então existência desonrosa) tido como imortal (pelo fator de cura do mutante), mas que, na verdade, é gêmeo/muito parecido com diversos outros irmãos de batalha. Ou seja, mesmo sendo um hábil espadachim e samurai, na verdade o personagem não tem poderes especiais – aliás, nenhum dos personagens tem poderes. Há “subversões” deste tipo por toda a saga – composta por cinco números ao todo. Além disso, a trama contém inúmeras referências ao universo asiático na cultura; a mais latente é na trama do Hulk, que é claramente embebida no clássico de Kurosawa, “Os Sete Samurais”.

Outro ponto positivo é como os personagens se interligam – todos, de algum modo, buscam vingança contra o mesmo senhor feudal. Além disso, todos estão condenados a trilhar seus caminhos de modo solitário, Cada qual com seu trauma, com sua ira, com seu rancor, com sua vingança, com sua maldição. Mulligan mostra talento como roteirista ao fugir de possíveis lugares-comum pra resolver a trajetória de cada personagem e, ao mesmo tempo, consegue criar arcos interessantes para cada um deles. De todos, o que mais guarda semelhanças com sua contraparte do Universo Marvel é o Justiceiro; o que mais me chamou atenção foi Deadpool, retratado como um andarilho relegado ao ridículo (por suas deformações, típicas do personagem) mas extremamente hábil e astuto. Ele é, talvez, o principal fio-condutor entre estes cinco notáveis, e também é de suma importância ao fim da minissérie. É extremamente agradável ler 5 Ronin, uma leitura fluida, recheada de boas histórias e desenhos atraentes (há um quê de selo Marvel Max no tracejado, mais sombrio e expressivo que o dos heróis na continuidade principal da editora), com boas referências e ótimas sacadas. Precisamos de mais HQs assim, não maxi-sagas jogadas aos montes, definitivamente.

“5 Ronin” – Excelente





Grampá e a Marvel

16 10 2010

Saiu nesta quinta-feira, dia 13 de outubro, a mini-série Strange Tales II. O destaque para nós brasileiros fica por conta dos desenhos de Rafael Grampá para Wolverine. Clique aqui para conferir no próprio blog de Grampá um pequeno preview da edição, que não tem nenhuma previsão de chegada no Brasil. Se você quiser dar uma olhadinha nas outras páginas da edição, que foi desenhada por outros desenhistas internacionais, clique aqui (Omelete) ou aqui (Universo HQ).

A capa também ficou por conta de Grampá

 





Homem de Ferro 3 [2013]

13 05 2013

Depois do estrondoso sucesso dos Vingadores, muita gente estava ansiosa pro novo filme Marvel Studios a chegar nos cinemas – no caso, nada menos que a última parte desta primeira trilogia de filmes do Homem de Ferro. Homem de Ferro 3, de Shane Black (diretor após ter iniciado sua carreira ainda muito novo, roteirista, ajudando a criar a série Máquina Mortífera no fim dos anos 80), trazia novamente Robert Downey Jr. como o carismático Tony Stark, desta vez contra o aguardado Mandarim. No entanto, pra minha surpresa, não se trata apenas do Mandarim [Ben Kingsley], mas também do rival de Stark, Aldrich Killian [Guy Pearce, bem no papel]. Infelizmente pra mim o resultado do filme como um todo foi insosso: melhor que a parte 2, que não gosto, mas ainda inferior ao primeiro filme. Enquanto nas cenas de ação o ritmo sempre empolga, com ótimas sequências e animações, clímax e tensão, no desenrolar da trama me parece que há uns problemas, principalmente com idéias mais amplas o relacionando ao Universo Marvel. Não me leiam como um daqueles nerds chatos, que exigem tudo igual às HQ’s: acho que algumas mudanças de alguns pontos das amplas cronologias das histórias originais podem ser interessantes. Aqui, acho que há elos dramáticos mal resolvidos em Homem de Ferro, com mudanças bruscas e momentâneas meio atravancadas (o menininho que ajuda Tony, Pepper, Happy Hogan); ao mesmo tempo que esse tipo de recurso seja muito usado em uma HQ, a mim simplesmente não cativou no filme. Fiquei me indagando após vê-lo sobre os filmes Marvel Studios como um todo – este, tendo início com o mesmo Homem de Ferro -, e acho que há mais filmes medianos/ruins do que legais: pra mim, salvam-se Homem de Ferro 1, Capitão América e Os Vingadores. Mas isso é papo pra uma outra hora: Homem de Ferro 3 é um filme ok, com gostinho de “podia ser mais legal”, mas que também não prejudica tanto nossa expectativa, com Guardiões da Galáxia e Capitão América 2 a caminho (esse novo Thor pode ser bem massa, os trailers ficaram legais, mas é bom ter um pé atrás, por via das dúvidas).

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Homem de Ferro 3 – Regular





Thor (AKA Potencial Perdido em Asgard)

20 06 2011

Devo confessar que fiquei um pouco preocupado com que vem a seguir após assistir a Thor, de 2011. Isso não necessariamente quer dizer que os filmes da Marvel Studios estejam “piorando” muito a ponto de se tornarem ruins, mas eu seria hipócrita se dissesse que o nível de Homem de Ferro 1 estivesse sendo mantido. Para a grande maioria, o filme do deus nórdico funciona como bom entretenimento, mas fica devendo muito para quem preza por uma boa adaptação de quadrinhos.

 

Quando fiquei sabendo que Kenneth Branagh seria o diretor de Thor, fiquei empolgado pelas possibilidades dramáticas do filme, já que o britânico vem de uma escola de atuação teatral, e sempre trabalhou com adaptações da obra de Shakespeare, expert em grandes dramas e conflitos familiares. Por conta disso, não esperava sequências de ação inesquecíveis, mas boas sequências do triângulo familiar Thor-Loki-Odin. Não sei se é necessariamente o abismo de qualidade de Anthony Hopkins (Odin) em relação à dupla Chris Hemsworth (Thor) e Tom Hiddleston (Loki), mas o filme fica devendo neste quesito, que, em tese, seria seu principal atrativo.

No quesito visual, os efeitos são deslumbrantes sim, e Asgard é de se encher os olhos. Porém, as cenas de ação ficam apenas na média, sem nenhuma que se sobressaia. Um bom exemplo é a chegada do Destruidor no pequeno povoado para enfrentar Thor e o quarteto Volstagg-Fandral-Hogun-Lady Sif: num cenário propício a muitas porradas e explosões, tudo fica insosso demais. Sem contar a filhadumaégua shaky camera que se faz presente durante todo o filme – a luta dos cinco asgardianos e Loki contra os gigantes do gelo é outro exemplo de como não se filmar uma cena de porradaria.

Ao fim do filme, parece que Thor veio apenas para preencher uma lacuna no Universo Marvel que está sendo progressivamente construído para preparar o público para o filme dos Vingadores, em 2012. Neste ponto, o filme é eficiente em apresentar elementos comuns ao “mundo” de Tony Stark, mostrar o Gavião Arqueiro [Jeremy Renner, em uma tímida aparição] e armar terreno para a “unificação” dos males deste universo – a cena pós-créditos é crucial neste gigante quebra-cabeças. Se vale destacar algo do filme, é que não houve medo em inserir um personagem essencialmente “mágico” como Thor – calcado em mitologias, lendas e objetos sagrados – neste até então universo mecanicista da Marvel (os filmes da franquia Iron Man são fantasiosos, mas tudo se trata de uma grande história de robôs e tecnologia, não?). O que fica para o longa do Capitão América? A esperança que a ação seja melhor trabalhada, e que se lembrem que um filme de super-heróis precisa de doses cavalares de brigas boas sem cair no câncer do crossover: a política de “bater-primeiro-perguntar-depois” que tanto odiamos.

“Thor” – Regular





Fear Itself

22 12 2010

Depois de alguns teasers rolando nos sites internacionais especializados em HQ, a Marvel finalmente resolveu abrir o jogo e explicar um pouco mais sobre sua nova saga: Fear Itself. Basicamente, parece que terá proporções semelhantes a de Guerra Civil, e está sendo armada há, pelo menos, dois anos – conforme a saga for evoluindo entederemos melhor desde quando tudo está sendo “tramado”. A premissa envolve os personagens do Universo Marvel contra uma espécie de “Deus do Medo”, e, a partir daí, alianças serão formadas, heróis e vilões irão morrer, etc e tal. Tudo bem, é esquema de sempre das grandes editoras, mas há de se ressaltar que os caras sabem deixar seus leitores curiosos, com teasers como esses abaixo…











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